! Brasil evita, mas rivalidade aflora em 'revanche' com Portugal na semi - 10/11/2006 - UOL Esporte - Futebol de areia
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  10/11/2006 - 19h45
Brasil evita, mas rivalidade aflora em 'revanche' com Portugal na semi

Ricardo Zanei
Enviado especial do UOL
No Rio de Janeiro

PARA FICAR DE OLHO
EFE
Brasil e Portugal fazem um duelo particular pela disputa do melhor ataque do torneio. Os donos da casa somam 41 gols em quatro jogos, contra 35 dos rivais.

No individual, acontece outra disputa. O trio Benjamin (foto), 11 gols, Júnior Negão, 9, e Bruno Malias, 8, é responsável por 28 gols, ou seja, 68,3% do total.

Do lado português, Madjer lidera a artilharia, com 15, mas conta com a ajuda de Alan, 6, somando 21, o que corresponde a 60% dos gols da equipe.
Eles negam, mas a rivalidade entre as duas seleções é latente. Oponentes na mesma situação em 2005, Brasil e Portugal se reencontram neste sábado, às 11h (horário de Brasília), na arena de Copacabana, no Rio de Janeiro, pela semifinal da Copa do Mundo da Fifa de futebol de areia.

A seleção brasileira evita usar o termo "revanche", mas jogadores das duas equipes trocam farpas antes do confronto. No ano passado, no mesmo local, os portugueses venceram por 2 a 1 nos pênaltis, após empate por 6 a 6, e depois ficaram com o vice na decisão contra a França.

"Temos de ter tranqüilidade, é um jogo difícil, mas são eles quem têm que ter medo da gente. Nós não temos medo deles", disse Sidney, um dos destaques do Brasil na vitória por 12 a 1 sobre o Canadá nas quartas-de-final.

Para o capitão Júnior Negão, o tropeço do ano passado ainda não foi assimilado. "O título inédito está engasgado na nossa garganta", comentou. "A única coisa que realmente falta é essa Copa do Mundo. França e Portugal são favoritos, estamos em terceiro. Mas alguém, para ganhar da gente, vai ter de chegar aqui e correr muito. Vontade é o que não vai faltar."

O paraibano Alan, que desde 1998 joga por Portugal, faz questão de tratar o Brasil como "eles" e repete a mesma frase ao ser indagado sobre o adversário da semi. "Não falo do Brasil, só falo de Portugal", disparou. "Sou brasileiro, gosto muito daqui, mas meu coração hoje é 100% português. Para mim, é só mais um jogo."

CONTRA A PRESSÃO
A seleção brasileira tenta lidar com a pressão, não apenas para "dar o troco" em Portugal, mas também para levar o título inédito da Copa da Fifa.

"Perdemos no ano passado. Agora, a gente quer conquistar, porque é muita pressão, é muito difícil perder aqui dentro. Queremos ganhar esse título", comentou Bruno Malias, que deixa o banco e começa a semi como titular.
Mesmo assim, o atleta dá uma cutucada no Brasil. "Portugal, para mim, é o melhor time. É natural que eles sejam considerados os melhores do mundo, mas nós estamos na frente. Chegamos à final no ano passado. Eles, não."

O técnico brasileiro, Alexandre Soares, descarta qualquer tipo de espírito de revanche pela derrota em 2005. "Não existe isso. O que existe é a concentração máxima para jogar a segunda das três finais que queremos disputar", disse, se referindo aos duelos de mata-mata no caminho para a decisão.

O português Madjer, artilheiro do Mundial com 12 gols, vai pelo mesmo caminho do treinador do Brasil e adota um tom mais analítico sobre a semifinal. "Quem quer ser campeão tem de enfrentar qualquer um. Essas duas seleções sempre fizeram grandes jogos. Acho que eles são os melhores do mundo e, por isso, temos de respeitar, mas sem medo."

FRANÇA x URUGUAI
A rodada deste sábado será aberta com o duelo entre a França, atual campeã mundial, e o Uruguai, grande surpresa das semis, às 9h30.

Os franceses, comandados por Eric Cantona, chegaram à semi após a vitória sobre o Japão, por 3 a 2, e, assim como Brasil e Portugal, seguem invictos na Copa.

Já o Uruguai sofreu na primeira fase e se classificou com uma vitória e duas derrotas. A vaga na semi veio depois da virada por 2 a 1 sobre a Argentina, em jogo que acabou em pancadaria.

Confusão, aliás, não é novidade para França e Uruguai. No Mundial, após um bate-boca em quadra, franceses agrediram uruguaios no vestiário.
Para a semi, o Brasil terá uma alteração em relação à equipe que começou como titular nas quatro partidas anteriores. Sai Sidney, e entre Bruno Malias, que fará companhia a Benjamin no ataque. O time ainda terá o goleiro Mão e os defensores Júnior Negão e Buru. Já Portugal deve entrar em quadra com Bruno, Jorge, Marinho, Alan e Madjer.

Portugal, o maior algoz
A seleção brasileira tem um currículo invejável em sua história. São 263 vitórias e 12 derrotas (95,6% de aproveitamento). O time marcou 2.234 gols (média de 8,12) e sofreu 725 (2,64).

Contra Portugal, foram 20 jogos no total, com 16 sucessos brasileiros. Assim, os rivais venceram apenas em quatro oportunidades, mas o suficiente para que eles sejam responsáveis por 25% das derrotas do time nacional.

Os portugueses levaram a melhor pela primeira vez em outubro de 2000, na Copa Latina, disputada na Costa do Sauípe (BA), quando venceram nos pênaltis por 8 a 7, após 5 a 5 no tempo normal e na prorrogação.

No Campeonato Mundial de 2001, no mesmo local, os europeus repetiram o feito, venceram por 6 a 5 (na prorrogação, com "gol de ouro") e ficaram com seu único título da competição até hoje.

TEMPO ESQUENTA NO RIO
Se o clima pode esquentar na semi, o tempo deve melhorar no Rio depois da sexta de chuva. Institutos de meteorologia informam que o sábado será de sol, com muitas nuvens e tempo nublado. Mas, no período de manhã e tarde, quando acontecem os jogos, não deve chover.
Dois anos depois, em 2003, foi a vez de Portugal fazer a festa em casa, em Figueira da Foz, ao bater o Brasil por 7 a 4, na sua vitória por maior contagem.

A última vitória portuguesa - e mais doída derrota brasileira para os rivais - foi no ano passado. No primeiro ano que a Copa do Mundo ganhou o carimbo da Fifa, o time lusitano passou pelo dono da casa mais uma vez nos pênaltis, deixando o Brasil na terceira posição. Mas, na final, Portugal caiu diante da França, que conquistou o título inédito.

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