UOL Esporte Últimas Notícias
 
10/09/2008 - 09h25

Critérios de premiação por medalhas em Pequim incomodam brasileiros

Mariana Lajolo
Folhapress
Em São Paulo
Quando disparou críticas aos dirigentes da natação, uma das principais reclamações de César Cielo era a falta de premiação por ter chegado ao topo do pódio nos Jogos de Pequim.

Uma medalha de bronze na China rendeu até R$ 20 mil como recompensa. A de ouro, inédita, não levou prêmio algum. Os valores destinados aos brasileiros que foram ao pódio mostra a disparidade de critérios usados por dirigentes na hora de premiar os atletas.

Os judocas da delegação, por exemplo, já conheciam o valor oferecido pela confederação da modalidade por cada pódio _até R$ 50 mil para o primeiro colocado. Tiago Camilo, Leandro Guilheiro e Ketley Quadros recebem no próximo fim de semana R$ 20 mil cada um pelas medalhas de bronze.

O boxe, que pena com falta de verba e patrocinadores, planejava pagar até R$ 10 mil por medalhas nos Jogos _nenhum brasileiro foi ao pódio. Já os nadadores viajaram sem prêmio acordado. Agora, após as reclamações de Cielo, a confederação diz que espera acordo com patrocinadores.

"Não há previsão para o fim das negociações, mas, se fecharmos negócio, prometo premiar o Cielo", disse Coaracy Nunes, presidente da CBDA, uma das entidades que recebem maior fatia da lei Piva.

A confederação de taekwondo, que neste ano esteve envolvida em caso de calote ao atletas, deu R$ 15 mil a Natália Falavigna, atleta que montou estrutura própria para treinos em Londrina (PR) para ser bronze.

A premiação dos atletas nacionais é decidida por cada confederação. O Comitê Olímpico Brasileiro afirma que usa todos os recursos para a preparação dos competidores e que não há verba disponível para esse fim.

O governo federal diz que premiar atleta individualmente não é sua atribuição. "De acordo com a legislação, a administração do esporte no Brasil é privada. Por isso, temos as confederações e as federações. O papel do Ministério do Esporte é de fomento do esporte em suas várias dimensões", afirmou o ministro interino do Esporte, Wadson Ribeiro.

Em alguns países, a premiação é centralizada no comitê olímpico ou no governo. Na China, por exemplo, cada ouro rendeu R$ 370 mil. O Comitê Olímpico Alemão ofereceu 30 mil euros pelo topo do pódio.

As atletas da seleção de vôlei foram as mais bem premiadas do Brasil pelos dirigentes: R$ 2 milhões, mais parte da renda de torneio em Fortaleza _o prêmio é dividido com a comissão técnica. O valor é bem menor do que o reservado para o masculino em caso de ouro _R$ 4,7 milhões. A CBV não premia prata e bronze. Norma seguida pelas seleções de futebol.

"Sempre foi assim, só premiamos o ouro. O valor dos homens era mais alto porque há um histórico maior de conquistas", disse o presidente da CBV, Ary Graça Filho.

Maurren Maggi, ouro no salto em distância, recebeu R$ 50 mil da confederação, valor que deve mais do que quadruplicar com mimos de patrocinadores.

Compartilhe:

    Receba Notícias

    Hospedagem: UOL Host