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18/11/2008 - 08h01

Estrelas se dividem entre luxo de hotéis e farra da 'Vila Olímpica caipira'

Rodrigo Farah
Em Piracicaba (SP)
Em Pequim, luxuosos apartamentos decorados com base na filosofia Feng Shui, além de banheiros com fechaduras manipuladas por impressões digitais. Já na "Vila Olímpica" dos Jogos Abertos do Interior, em Piracicaba, o cenário é bem diferente: camas amontoadas em salas de aula e duchas comunitárias para os atletas. Ainda assim, o charme dos alojamentos permanece como um grande atrativo para boa parte das estrelas do esporte brasileiro.

MURER MOSTRA ALOJAMENTO AO UOL
ATLETAS PAQUERAM NO ALOJAMENTO
Personagens experientes na competição paulista, como Hugo Hoyama, Edinanci Silva e Fabiana Murer, não hesitam ao escolher as escolas públicas como hospedagem durante o período de competição. Todos destacam que os alojamentos, por mais simples que sejam, fazem parte do "romantismo" do torneio. Por esse motivo, podem até mesmo servir como um fator motivacional para a disputa do campeonato.

"Sou fã assumido do alojamento dos Jogos Abertos. Nós não temos o luxo que tínhamos na Vila Olímpica de Pequim, mas é um ambiente de muita descontração e que está diretamente ligado à cultura dos Jogos. Por causa disso, sempre aceito ficar nas escolas, onde o ambiente é bem tranqüilo e ao mesmo tempo divertido", revelou o mesa-tenista Hugo Hoyama, que disputa a competição desde 1983.

Outro fator destacado pelos esportistas que ficam nos alojamentos é a possibilidade de interação com pessoas de outras modalidades, o que dificilmente aconteceria em um hotel. Nas escolas, eles são obrigados a dividir várias áreas em comum, como o refeitório e os banheiros. Isso sem mencionar que algumas modalidades chegam até a dividir o mesmo quarto durante o período do evento.

"As acomodações dos Jogos Abertos são totalmente diferentes de uma Vila Olímpica. Aqui a gente fica em escolas e tudo é meio adaptado, mas mesmo assim é confortável. Você ainda pode fazer amizades com várias outras pessoas e nesse sentido é como se fosse uma mini-vila mesmo, assim como foi em Pequim", ponderou Fabiana Murer, momentos antes de ser solicitada para tirar fotos com um grupo de jogadores de biribol no alojamento de São Caetano do Sul.

CONFRATERNIZAÇÃO DOS ATLETAS
Rodrigo Farah/UOL Esporte
Judoca Edinanci Silva joga cartas com outros atletas na concentração dos Jogos
Rodrigo Farah/UOL Esporte
Nas horas vagas os atletas jogam pebolim
e tênis de mesa, entre outras atividades
Rodrigo Farah/UOL Esporte
A refeição dos atletas dos Jogos Abertos contou com manjar e frutas de sobremesa
MAIS FOTOS DOS ALOJAMENTOS
SUZANO CONQUISTA O BI NO VÔLEI
Porém, nem todos os olímpicos gostam de ficar nos alojamentos. Estrelas do vôlei como Sheilla, Mari e Escadinha não são grandes fãs do ambiente descontraído das escolas. Por isso, admitiram certo alívio ao se hospedarem em hotéis durante a permanência em Piracicaba.

"Felizmente, temos um bom patrocinador que nos dá uma estrutura legal. Seria complicado ficar numa sala de aula, até mesmo porque o time é exigido pelo alto rendimento. Ficando no alojamento, é mais difícil ter o descanso pós-treino e pós-jogo. Já fiquei em escola e é legal até certo ponto, mas no hotel é tudo mais tranqüilo", disse Escadinha, líbero do São Bernardo.

Paula Pequeno, campeã olímpica e dos Jogos Abertos pelo Osasco, é outra que admite a preferência pelos hotéis. Após viajar de volta para casa todos os dias durante os primeiros jogos da competição, ela se hospedou no mesmo hotel que Escadinha uma noite antes da final contra o São Caetano, e reiterou que isso foi fundamental para a conquista do campeonato.

"Estamos no meio da temporada e cheias de jogos, não só aqui como pela Superliga. Como ficamos no hotel, conseguimos descansar bastante. O alojamento tem um lado legal, mas para o time manter o foco foi muito importante esse descanso antes da decisão", afirmou a jogadora.

Os únicos momentos do dia em que os atletas dos alojamentos se encontram com os hospedados nos hotéis acontece na hora das refeições, pois todas são realizadas nas próprias escolas. O que poderia ser um motivo de reclamações para ambos os lados foi, no fim, o mais elogiado por todos: a comida. Tanto os esportistas dos alojamentos como os que dormiram no hotel concordaram que a alimentação agradou aos paladares da delegação inteira.

"A melhor coisa do alojamento é a comida, é bem melhor que a de Pequim. Lá na Vila só tinha comida local e a 'internacional', que eles chamam. Mas a 'internacional' deles é macarrão e pizza ou então hambúrguer. Aqui não. Aqui tem arroz e feijão. É uma maravilha. Ontem então, teve uma lasanha que tava uma delícia", opinou a judoca Edinanci Silva, em discurso amenizado pela jogadora de vôlei Mari.

"Pra falar a verdade, não tenho do que reclamar da comida em Pequim, que estava bem melhor do que a de Atenas. Mas a daqui também está boa e parece estar agradando a todos, já que só vejo pratos cheios na mesa de todo mundo", completou a campeã olímpica, antes de se dirigir ao hotel para passar a noite.

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