Caras cansadas e pouco entusiasmo. Nem todos os olímpicos em ação nos Jogos Abertos do Interior mostram empolgação no torneio estadual. Ainda existem aqueles que ficam animados pela tradição da disputa, mas os esportistas de alto-nível são unânimes ao reclamar que a data do campeonato, três meses após as Olimpíadas de Pequim, atrapalha a motivação na competição em Piracicaba.
O trio campeão olímpico no vôlei feminino do São Caetano é um exemplo. Ao longo dos Jogos Abertos, Mari, Sheilla e Fofão exibiram poucos sorrisos dentro e fora das quadras na presença do público. As jogadoras admitiram cansaço por disputarem os Jogos em meio à Superliga, principal evento da modalidade no país.
"A data realmente não é boa. No nosso caso, viemos de uma Olimpíada ficamos um pouco afastadas e estamos no meio da Superliga. Ficamos um tempo fora e depois vamos ter que recuperar isso, mas como a prefeitura nos apóia, é muito importante que façamos o máximo dentro de quadra", afirmou Mari antes de perder a final para o Finasa/Osasco no último fim de semana.
Os salários dos atletas de alto rendimento pagos mensalmente pelas prefeituras seguem como o principal incentivo dos esportistas na competição. Medalhista de bronze em Pequim, Natália Falavigna destacou que esta é a grande oportunidade dos olímpicos para retribuir os investimentos realizados pelas cidades.
"Todos os atletas estão um pouco cansados nessa época do ano. O meu ápice, por exemplo, foi nos Jogos Olímpicos e depois quase não tive tempo para tirar férias. Mas paciência, preciso devolver todo o investimento pro meu clube e cidade [São Caetano], que apostou em mim e permitiu esses resultados que conquistei lá fora", conformou-se a taekwondista paranaense.
Normalmente, os Jogos Abertos do Interior são disputados no mês de outubro. De acordo com o coordenador estadual da Secretaria de Esportes, Lazer e Turismo, Nélson Gil Oliveira, alguns contratempos atrapalharam a elaboração do calendário para a edição de 2008 e resultaram no atraso do campeonato.
O coordenador comentou que a realização das eleições municipais em outubro aliada à própria disputa das Olimpíadas em agosto deixou os meses de setembro e novembro como únicas opções disponíveis no calendário. A escolha final foi feita pela prefeitura de Piracicaba, que determinou o penúltimo mês do ano como o melhor para sediar o evento.
"Sabemos que o mês de novembro acaba atrapalhando um pouco a preparação dos atletas de alto rendimento, mas neste caso não tivemos outra escolha. A partir de 2009, em Santos, já devemos voltar ao normal e ter o torneio realizado em outubro, como na maioria dos anos", prometeu Nélson Oliveira.
Ainda assim, nem todos os olímpicos presentes nos Jogos Abertos mostram falta de entusiasmo para disputar o campeonato. É o caso de Fabiana Murer, do salto com vara. A atleta, que precisou somente de um salto de 3,60 m para faturar o primeiro lugar, esbanjou simpatia e tranqüilidade na hora da competição.
Acostumada à disputa dos Jogos, ela chegou até mesmo a brincar com torcedores do XV de Piracicaba que gritavam por seu nome na hora da concentração. Eles ofereceram à saltadora um ingresso para assistir ao time caso ela conquistasse o primeiro lugar. Dito e feito. Logo após ser confirmada como a campeã, Murer caiu na gargalhada e cobrou o ingresso dos torcedores.
"Essa é uma época bem ruim para competir, pois estou em fase de treinamentos intensivos, em dois períodos por dia. Só que é isso o que eu faço e gosto muito. É minha profissão, então acho bem legal. Além disso, tenho que ajudar a cidade a conquistar mais um título dos Jogos", reiterou Fabiana Murer, também representante de São Caetano do Sul.