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25/12/2008 - 09h01

Porteiro relembra anos dourados do Clube de Xadrez de São Paulo

Carolina Araújo
Da Folhapress
Em São Paulo (SP)
"Há alguns anos, aqui era animado até de madrugada. Hoje, me dá tristeza ver o salão tão vazio."

A opinião não é de apenas um freqüentador, mas de um dos mais assíduos personagens do Clube de Xadrez de São Paulo em seus 106 anos de história.

Virgílio Agostinho Oliveira, 78, é porteiro da entidade desde 1953, quando o clube se localizava na rua 24 de Maio.

Hoje, 55 anos depois e já aposentado, "seu Virgílio", como é conhecido, segue trabalhando no clube todos os dias, mesmo que, devido aos problemas financeiros, seus salários estejam atrasados há vários meses.

Nos anos 60, ele atendia interessados em usar os serviços da barbearia do local. Também recepcionava famílias da elite paulistana que almoçavam no restaurante Torre de Prata, no quarto andar da sede da rua Araújo, que depois passavam as tardes jogando xadrez e bridge.

Nessa época, mais de 400 enxadristas freqüentavam regularmente o Clube de Xadrez de São Paulo, contra os cerca de 40 sócios que existem atualmente.

Durante cinco décadas, Oliveira viu passar pelo CXSP vários campeões mundiais, como os russos Boris Spassky e Anatoly Karpov, considerados dois dos maiores jogadores de xadrez de todos os tempos.

"As pessoas enchiam o clube para ver os grandes mestres. A garotada hoje em dia conhece os campeões pela internet."

Sobre a situação atual, ele acha que a crise que ameaça fechar as portas do CXSP ocorre pela falta de torneios. 'Ninguém paga mensalidade para vir ao clube e não ter parceiro para jogar", afirma.

"Já vi o Clube de Xadrez de São Paulo em dias bons e em dias ruins. Mas esta, com certeza absoluta, é a pior época de todas", lamenta o porteiro.

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