PORTA VOZ DA PRESIDÊNCIA DOS EUA FALA EM DESAPONTAMENTO DE BARACK OBAMA
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O porta-voz da presidência dos Estados Unidos disse, depois do anúncio da vitória do Rio de Janeiro pela sede dos Jogos Olímpicos de 2016, que Barack Obama está desapontado com a derrota de Chicago. Obama está viajando de volta aos EUA, após passar só 5 horas na DInamarca.
"Mesmo assim, ele está orgulhoso do trabalho que sua mulher fez na apresentação do COI e feliz por ter ido para a Dinamarca defender a candidatura norte-americana. Ele nunca vai se abster de viajar para qualquer país para falar sobre o seu país", afirmou o porta voz Robert Gibbs.
Obama viajou apenas na quinta-feira à noite para a Dinamarca - Michelle estava em Copenhague desde quarta-feira. Ele chegou pouco mais de uma hora e meia antes do início da apresentação de Chicago para o COI. Ele discursou no evento e foi embora em seguida, acompanhado da mulher.
Quando o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, mostrou o envelope com o nome do Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi cercado. Todos queriam parabenizar o mandatário brasileiro: pela primeira vez, o Brasil organizaria os Jogos Olímpicos, no Rio, em 2016.
Ali mesmo, cercado por atletas, políticos e dirigentes do esporte brasileiro, Lula chorou. Um choro contido, ainda mais comparado ao do governador Sergio Cabral e ao do ex-jogador Pelé, mas representativo. E ainda viria mais. Na entrevista coletiva após a vitória, o presidente finalmente colocou para fora toda a emoção do dia.
Lula chorou copiosamente enquanto Carlos Arthur Nuzman falava pela primeira vez como presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Rio de Janeiro-2016. O presidente, aplaudido, enxugou as lágrimas com um lenço branco. "Chorei agora porque não tive coragem de chorar na hora da apresentação", revelou, ainda com o rosto vermelho.
A vitória, para o presidente, foi simbólica. Mostra que o país passou a ser respeitado internacionalmente, deixou ser "um país de segunda categoria". Lula, porém, rejeitou a comparação mais óbvia: a derrota de Chicago representou um triunfo sobre o presidente dos EUA, Barack Obama, que esteve nesta sexta-feira em Copenhague, para o evento.
"Eu não ganhei do Obama. Foi o Rio que ganhou de Chicago, de Madri e Tóquio. Fui eu que incentivei o Obama a comparecer. Eu falei que seria muito ruim ter uma cidade concorrendo e ele longe. Disse que Chicago perderia se ele não viesse. Ele acabou vindo, mas nós ganhamos", afirmou o presidente.
Ao analisar o dia em Copenhague, que começou às 3h30 com a apresentação de Chicago, Lula disse que a grande diferença foi a vontade que os brasileiros mostraram para receber o evento. A candidatura carioca foi a terceira a mostrar seu projeto aos membros do COI.
"A gente que entende um pouco de política viu que Chicago e Tóquio entraram para cumprir tabela. O que fez a diferença foi que estávamos com a alma e o coração [durante a apresentação]. O Brasil era o único que queria de verdade. Os outros, se vencessem, seria apenas mais uma. Nós tivemos que provar competência. E eles [os membros do COI] viram isso nos olhos de quem falou, dos nossos atletas. Esse país merecia uma chance", analisou.
Lula voltou, também, a bater na tecla de que o Brasil comprovou sua força econômica com a chancela do COI. "No passado, era impossível pensar em um país de terceiro mundo realizando as Olimpíadas. No Brasil, temos pessoas que consideram, ainda, o Brasil como se fosse de segunda classe, como se não tivéssemos importância. Falam que não podemos ter Olimpíada porque temos muitos pobres, porque temos favelas. É claro que temos de resolver esses problemas. Mas também temos o direito de realizar as Olimpíadas".
O presidente agora vislumbra um novo caminho para o país. "Queria dizer que estou com um pouco de preocupação porque o COI decidiu aumentar a responsabilidade dos brasileiros. Sou um homem que não tem medo de responsabilidade. O Brasil precisa dessa Olimpíada. Esse povo merecia essa oportunidade. Cabe agora ao povo brasileiro e ao Estado brasileiro a responsabilidade de fazer os Jogos", disse Lula.