ROMA, Itália, 4 Nov 2009 (AFP) - Não, Ronaldinho não está acabado como atleta: autor do gol contra o Real Madrid (1x1), e aplicando-se a fundo terça-feira, na Liga dos Campeões, o brasileiro vai recuperando progressivamente um nível digno de seu talento, com a confiança do treinador Leonardo.
Demonstrou isso o pênalti que soube cobrar com autoridade diante do gol de Iker Casillas, com algumas jogadas inspiradas e uma crescente cumplicidade de seu compatriota Pato, no ataque.
Recentemente, no início de outubro, o meia Ronaldinho Gaúcho afirmou em entrevista ao jornal italiano La Gazzetta dello Sport que o Milan, em grave crise, precisava de vitórias nas próximas partidas do Calcio e da Liga dos Campeões para voltar aos trilhos.
"Gostaria de vencer Kaká e o Real Madrid na Liga dos Campeões, o que nos daria um grande incentivo para voltar ao bom caminho", havia dito, então, Ronaldinho, estabelecendo como prioridade o campeonato italiano.
O brasileiro, de 29 anos e que tem uma carreira de altos e baixos no Milan, afirmou que não vê problemas em começar as partidas no banco.
"Penso de forma positiva. Se tiver que começar no banco, estarei pronto para contribuir porque só sou feliz jogando".
Mesmo assim, ele afirmou que tentaria convencer o técnico Leonardo de que merece ser titular.
"Tentarei convencer Leonardo de que sou o verdadeiro Ronaldinho e que mereço ser escolhido".
Esse é o Dinho, que domingo passado deu dois passes decisivos para Marco Borriello na vitória por 2 a 0 ante o Parma na liga italiana.
Em agosto, alguns 'tifosi', chegaram a lhe pedir, quando assistia a un show perto de Milão, que voltasse para casa para estar em forma para o treinamento do dia seguinte.
É certo que, depois de uma primeira temporada frustrada no clube italiano, com a saída de Kaká para o Real Madrid aumentou a pressão sobre seus ombros. Para culminar a série de infortúnios, o dono do clube, Silvio Berlusconi, chamou-o de "Usain Bolt do futebol", uma comparação considerada insultante para um jogador de futebol.
Mas ele não perdeu o moral - "sempre está feliz" comenta Pato.
O técnico Leonardo, entendendo as dificuldades do Bola de Ouro 2005 resolveu mudar de tática.
Colocou-o mais para a esquerda no ataque, dando-lhe mais liberdade que a posição de centro, encarregando as tarefas defensivas a Clarence Seedorf, Andrea Pirlo, Massimo Ambrosini ou Gennaro Gattuso.
Na nova posição, Dinho voltou a mostrar seu talento, com muito mais segurança nas iniciativas e mais envolvimento no jogo coletivo. "'Dinho' luta mais agora", felicita-se Ambrosini.