HAVANA, Cuba, 27 Out 2009 (AFP) - Cuba não pode cobrar a parte que cabe ao país por sua participação no II Clássico Mundial de Beisebol, realizado nos Estados Unidos, devido ao embargo, afirmou nesta terça-feira Tomás Herrera, dirigente do Instituto de Deportes (INDER) estatal, em entrevista à imprensa.
"Ainda não repassaram o dinheiro à equipe cubana por participar do evento", explicou.
Ele disse não saber o montante mas que, segundo as normas do evento, Cuba deveria cobrar 300.000 dólares por estar presente na primeira fase (50% para os jogadores e o restante para a Federação); outros 300.000 por liderar seu grupo, e 400.000 por competir na segunda fase, o que soma um milhão de dólares.
"No entanto, não foi dado o estímulo correspondente a nossos rapazes", apesar de o torneio ter sido realizado em março, disse Herrera.
No primeiro Clássico de beisebol, cabia a Cuba 7% do lucro do campeonato por ter ficado em segundo lugar, mas ante a impossibilidade de cobrar, devido ao embargo, o governo de Havana decidiu doar o dinheiro para as vítimas do furacão Katrina nos Estados Unidos.
As medidas restritivas em vigor desde 1962 incidem, também, com força, sobre o desporte e seu desenvolvimento, com a impossibilidade de importar implementos, e a necessidade de recorrer a outros mercados como China, com o frete triplicando os custos.
A velocista aposentada Ana Fidelia Quirot, subcampeã olímpica e rainha mundial, disse que "entre 2002 e 2009, os Estados Unidos negaram vistos a 32 delegações cubanas e a 117 pessoas, entre treinadores, esportistas e pessoal técnico".