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   13h26 - 30/12/2003

Ecologistas criticam "desperdício" do rali Dacar

Paris, 30 dez (EFE).- Um grupo de 11 associações ecológicas francesas denunciou hoje, terça-feira, o "desperdício energético inaceitável" que representa o rali Dacar, se posicionaram contra a mensagem que a competição carrega em termos ambientais e pediram o fim do rali, cuja próxima edição começa na quinta-feira.

"É inadmissível ver que os responsáveis por este rali ainda privilegiam a paixão esportiva em detrimento de sua responsabilidade no desarranjo climático", afirmou em um comunicado o grupo, que recordou as inundações que atingem o sul da França há algumas semanas e a forte onda de calor que tirou a vida de cerca de 15.000 pessoas em agosto.

O documento, assinado por organizações como o Greenpeace, a Federação Nacional de Associações de Usuários de Transportes e a Atuar pelo Meio Ambiente, afirma que "o rally transmite uma mensagem poluente" ao mitificar os jipes e ao "incita o consumidor urbano a comprar veículos com tração nas quatro rodas", que emitem gases responsáveis pelo efeito estufa.

"Duplamente chocante, o Dacar utiliza a África como pista de jogo quando este mesmo continente vai experimentar, com certeza, as conseqüências deste desarranjo climático sem ter a capacidade financeira dos países desenvolvidos para se proteger parcialmente", afirmam as associações.

O grupo chegou a pedir o fim do rali com o argumento de que a "França já não pode continuar ignorando uma catástrofe climática anunciada".

Uma associação ecológica do litoral mediterrâneo francês disse hoje que apresentou uma queixa ao Tribunal Administrativo de Montpellier para proibir que os participantes do Dacar atravessem na segunda etapa a floresta de Montfroide, que é um espaço protegido.

O grupo justificou a queixa contra a decisão do governante do departamento de Aude, que autoriza a passagem por Montfroide, por considerar que ela "não está argumentada e foi tomada sem que as autoridades ambientais tenham sido consultadas, como prevê a legislação para as áreas protegidas".

A organização do Dacar anunciou ontem que suspendia uma parada durante a primeira etapa na cidade de Millau, por causa das ameaças de uma ação de bloqueio de grupos de ativistas antiglobalização que iria contar com o apoio de José Bové.


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