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09/06/2006 - 16h35
Ronaldo retorna aos treinamentos, rompe silêncio e exige respeito

Hernán Bahos Ruiz Koegnistein (Alemanha), 9 jun (EFE).- O atacante Ronaldo voltou aos treinamentos hoje após superar uma infecção que o deixou com febre na última quinta-feira, e quebrou o silêncio de uma semana, ao participar de uma entrevista coletiva na qual se disse decepcionado com as notícias sobre sua vida e exigiu mais respeito.

"Estou decepcionado com algumas coisas", disse Ronaldo, ainda abatido por uma enxaqueca, que reservou ainda um tom de ironia para alfinetar aqueles que acham que está acima do peso. As declarações do atacante antecederam seu retorno aos treinamentos, divididos à tarde em um coletivo de 30 minutos entre titulares e reservas e em sessões de aplicação tática na defesa.

Os titulares venceram por 3 a 0, com gols de Kaká, Adriano e Cafu. Ronaldo teve pouca participação no coletivo, onde Ronaldinho Gaúcho voltou a mostrar agilidade e dinamismo. Onde o jogador do Real Madrid se destacou mesmo foi na entrevista coletiva.

O artilheiro da Copa de 2002, com oito gols, atribuiu a culpa de suas decepções "à maioria da imprensa brasileira", por dar repercussão a fatos relacionados com seu peso, as bolhas que recentemente apareceram em seus pés e a eventuais saídas à noite.

Advertido por seus interlocutores de que fatos como sua ida a uma discoteca na Suíça e a outra na Alemanha foram divulgados originalmente por meios de comunicação europeus, Ronaldo titubeou, mas se manteve firme: "Os brasileiros criaram uma onda sobre isso.

Temos que estar protegidos, pelo menos pelo nosso país".

"O estrangeiro dá muito mais valor ao brasileiro que nós mesmos.

Fora do Brasil, a seleção dá medo, é respeitada", se queixou.

O comentário mais ácido de Ronaldo foi feito na parte da entrevista destinada às emissoras de televisão. O atacante comentou a repercussão de uma videoconferência entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília, e toda a delegação concentrada em Königstein, e que por acaso não contou com sua presença.

Ronaldo soube que durante a entrevista, colocada originalmente como uma mensagem de incentivo de Lula para a seleção, seu suposto excesso de peso foi tema de interesse do presidente.

"Assim como ele (Lula) disse que eu estou gordo, todo mundo diz que ele (presidente) bebe muito. Tanto é mentira que eu estou gordo como também deve ser mentira que ele bebe bastante", disse.

À imprensa, Ronaldo disse que "o presidente foi mal influenciado" pela imprensa que deu repercussão a seu suposto excesso de peso. O camisa 9 acrescentou que todos os jogadores foram instruídos para não fazer perguntas ao governante brasileiro.

Afirmou mais uma vez que seu peso atual é o correto, embora também tenha evitado revelá-lo, apesar da insistência dos jornalistas. "Isso não interessa a ninguém. Já estão falando há três anos dessa bobagem", completou.

Ronaldo acrescentou que as bolhas que chegaram a estar "em carne viva", segundo o médico José Luiz Runco, nada tiveram a ver com o quadro de febre que lhe foi diagnosticado desde quinta-feira, e que atribuíram a uma "infecção das vias respiratórias".

"Como vocês podem ver as bolhas cicatrizaram. Há pessoas que não acreditam, que associam a febre às bolhas".

Apesar de advertir que em seu coração não há espaço para o rancor, para o ódio, ele voltou a dizer que está "decepcionado" com os eventos que precederam sua participação no quarto mundial consecutivo de sua carreira. "Só quero respeito", disse o atacante.

Ao término do treino da tarde, o meia Kaká criticou hoje os jornalistas que ainda perguntam sobre o peso do atacante Ronaldo.

"Não sei até quando vamos ter que falar sobre isso. Não sei o que teremos de fazer para provar que o Ronaldo não está gordo", expressou o jogador do Milan diante de novas perguntas da imprensa.

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