
| 17h02 - 31/03/2002 |
Schumacher derrota tudo e todos e vence GP do Brasil |
Por Mario Andrada e Silva
SÃO PAULO (Reuters) - Michael Schumacher derrotou a Williams, a Michelin, a maioria dos apostadores, a lógica e seu irmão Ralf ao vencer de maneira espetacular a 31a. edição do Grande Prêmio do Brasil, em São Paulo, no domingo.
"Eu não estava esperando uma performance tão boa da gente. Fomos mais rápidos do que prevíamos. Meu carro estava simplesmente perfeito", disse Michael após mais uma festiva cerimônia no pódio.
O alemão da Ferrari completou as 71 voltas da prova com menos de meio segundo de vantagem sobre seu irmão depois de disputar a ponta com Ralf, com ambos no mesmo segundo por pelo menos 20 voltas.
Isso correndo com um carro estreante e um pneu, Bridgestone, que até hoje era tido como perdedor em pistas de alta temperatura.
"Ele (Ralf) não estava perto o suficiente para me ultrapassar. Eu sabia que ele só poderia passar na entrada da curva 1 (o "S" do Senna). Por isso eu levava o carro tranquilo no miolo do circuito e só precisava me proteger na reta. Deu tudo certo", completou o Schumacher mais velho.
A estratégia de Schumacher de poupar o carro em partes do circuito onde Ralf não poderia ultrapassá-lo preservou os pneus até o final da prova e impediu que os Williams equipados com pneu Michelin pudessem honrar o favoritismo antecipado.
Na prática, a Ferrari surpreendeu seus adversários em dois lances magistrais de estratégia. Primeiro, quando decidiu que faria apenas um pit stop com o carro de Michael Schumacher, estratégica típica da Williams. Segundo, quando Michael conseguia andar super rápido somente nos momentos verdadeiramente necessários.
Um dos momentos em que Michael foi mais rápido do que o necessário aconteceu na linha de chegada, quando o alemão surpreendeu o convidado de honra, Pelé.
O ex-jogador estava encarregado de dar a bandeirada de chegada ao vencedor, só que ficou conversando na hora e perdeu o momento certo.
"Você não pode nem piscar, bobeou ele passa...", disse o ex-jogador.
Dá até para dizer que o piloto do século driblou o atleta do século em Interlagos.
"Eu já vinha com o braço levantado e confesso que não vi a bandeira. Mas naquela velocidade não dava para ver o que o senhor Pelé estava fazendo", disse o alemão, rindo como todos no momento mais cômico do campeonato.
BARRICHELLO
Além de assistir a uma das mais primorosas atuações de Schumacher, a torcida brasileira que acabou não lotando Interlagos recebeu de presente 16 voltas de um ótimo Rubens Barrichello.
O brasileiro largou da oitava posição com o carro mais leve, preparado para duas paradas. Aproveitou muito bem essa vantagem e partiu voando para as primeiras voltas.
Na 14a. das 71 voltas da corrida o brasileiro superou o colega de equipe em plena reta oposta e garantiu o delírio da torcida.
"Pelo ritmo dele, estava claro que ele iria fazer duas paradas. A equipe me avisou, mas nem precisava. Quando seu companheiro está muito mais rápido é obvio que você deve abrir a porta", disse o alemão.
Duas voltas depois, porém, o sonho de Barrichello acabou com um defeito hidráulico que travou o câmbio de sua Ferrari "vovó" na quinta marcha. E ele terminou o GP Brasil de 2002 como nos últimos oito anos: voltando a pé para os boxes.
O único piloto que poderia ter incomodado Michael Schumacher, o colombiano Juan Pablo Montoya, ficou de fora da disputa antes do final da primeira volta.
Depois de perder a ponta para Schumacher logo após a largada, Montoya tentou passá-lo no final da reta, mas errou o cálculo e acabou deixando a asa dianteira de seu carro nas rodas traseiras da Ferrari nova do alemão.
Montoya reclamou de Michael, mas o piloto da Ferrari garante que nem sentiu a batida por trás e provou com a vitória que seu carro não foi minimamente afetado.
David Coulthard, da McLaren, completou o pódio do GP do Brasil, mas nunca passou de um coadjuvante na corrida.
"Estou mais cansado do que nunca. Talvez porque tenha tido que brigar muito com o carro. Estou contente com o resultado, mas a diferença maciça (quase 1 minuto) que nos separou dos Schumachers no final indica que ainda temos muito trabalho pela frente", disse Coulthard.
Jenson Button, Montoya e Mika Salo completaram, nesta ordem. a lista dos seis primeiros que marcam pontos. Dos três, quem tem mais motivos para festa é o finlandês Salo, já que a Toyota, estreante na F1, conseguiu marcar pontos pela segunda vez em 3 corridas.
Depois do GP do Brasil, Michael lidera o campeonato com 24 pontos, Ralf tem 16 e Montoya 14.
O próximo encontro dos três será no GP de San Marino, que acontece no dia 14 de abril em Ímola, pátria da Ferrari.
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