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Por Tatiana Ramil SANTO DOMINGO (Reuters) - Como todo menino brasileiro, Bruno dos Anjos e Gustavo Tsuboi, medalhistas de prata na competição por duplas do tênis de mesa, queriam mesmo era jogar futebol. Bruno chegou a atuar contra o atacante Robinho e Gustavo só foi jogar tênis de mesa por causa da chuva. Aos 18 anos, os dois chegaram aos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo com a difícil missão de conquistar uma medalha entre os chineses naturalizados. E tiveram que passar pelos campeões do Pan de 1999, os argentinos Liu Song e Pablo Tabachnik, na semifinal, antes de perderem a decisão para os brasileiros Hugo Hoyama e Thiago Monteiro. "Eu só pensava em jogar futebol. Meu irmão gostava de jogar ping-pong. Um dia estava chovendo no sítio e ele me chamou para jogar. Eu tinha 12 anos. Gostei e entrei para uma escolinha de tênis de mesa," disse Tsuboi à Reuters, ainda surpreso com a medalha de prata. Depois da escolinha, Tsuboi foi jogar em um clube tradicional de São Paulo, o Itaim Keiko. "A partir daí fui atrás do sonho de ser jogador," explicou ele, que nasceu em São Paulo. Seu parceiro de dupla também jogava futebol. Bruno, paulista de Santos, chegou a jogar contra Robinho no futebol de salão, e só foi atuar no tênis de mesa depois que sua mãe cansou dos jogos entre ele e o irmão no prédio onde moravam. "No meu prédio tinha uma mesa e a gente ficava brincando. Aí minha mãe resolveu nos colocar na aula," declarou Bruno. A brincadeira virou coisa séria e Bruno mudou-se para Piracicaba, fazendo parte do projeto olímpico. "No começo foi difícil porque eu estava acostumado com mordomia, com a comida da mamãe, mas agora me acostumei." A partir de setembro, Bruno, Tsuboi e outro jovem brasileiro, Cazuo, tem um vôo ainda mais alto. Eles vão jogar em um clube da Suécia. "O Hugo morou quatro anos na Europa e o Thiago mora lá há quatro anos. É bom porque a gente ganha mais experiência. Aqui a gente treina muito, mas não tem muitos torneios," disse ele, que treina cerca de seis horas diárias. Na final contra o veterano Hoyama, de 34 anos, e Thiago Monteiro, eles nem pensaram no recorde que o primeiro quebraria com o título, o de maior medalhista de ouro em Jogos Pan-Americanos, com oito medalhas. "A gente veio com fome de medalha. Queria muito ganhar, mas a experiência pesou," disse Tsuboi. "Está bom, na próxima a gente ganha," retrucou Bruno.
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