RIO DE JANEIRO (Reuters) - Em clima de euforia e despedida, a seleção brasileira masculina de vôlei desembarcou no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim com a medalha de ouro conquistada nos Jogos Olímpicos de Atenas, e foi saudada por uma multidão no desfile em carro aberto pelas ruas do Rio de Janeiro.
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| Campeões do vôlei desfilaram em carro dos bombeiros no Rio de Janeiro |
Os jogadores foram recebidos com uma grande festa dos torcedores e desfilaram em um carro de bombeiros, enquanto os três integrantes mais experientes do grupo, Maurício, Giovane e Nalbert, confirmaram que estão deixando a seleção.
Na hora da chegada da seleção, funcionários do aeroporto, parentes dos atletas e passageiros de outros vôos aplaudiram os jogadores, gritaram e tiraram fotos dos campeões olímpicos.
Durante todo o percurso do aeroporto para a zona sul, os jogadores foram saudados pelo público com bandeiras do Brasil. No centro do Rio, as pessoas saíram nas janelas dos prédios de escritório e saudaram os jogadores com chuva de papel picado. Milhares de pessoas nas ruas deram ao time de vôlei uma verdadeira recepção de heróis olímpicos.
Ainda no aeroporto, o capitão Nalbert repetiu o gesto eternizado por Romário em 1994, quando a seleção brasileira de futebol voltou dos Estados Unidos após conquistar o tetracampeonato mundial. Depois que o avião aterrizou, Nalbert colocou o corpo para fora da janela do piloto e agitou a bandeira do Brasil.
Dos 12 campeões olímpicos, apenas o atacante Giba não participou da entrevista coletiva para a imprensa. Giba voltou ao Brasil um dia antes e foi para Curitiba conhecer sua filha Nicoll, que nasceu durante a disputa dos Jogos Olímpicos.
HORA DO ADEUS
O levantador Maurício e o atacante Giovane anunciaram a decisão de deixar a seleção. Reservas na campanha do Brasil na Olimpíada, ele são os únicos jogadores da história do vôlei brasileiro a ter dois títulos olímpicos, em Barcelona-1992 e Atenas-2004.
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| André Heller (e) e Dante devem permanecer no time em Pequim |
"Agora estou resolvido. Deixo a seleção com a sensação de dever cumprido", disse Maurício, exibindo as duas medalhas olímpicas que ganhou. "Com certeza vou chorar mais tarde. A seleção foi a minha vida", afirmou o levantador de 36 anos, 17 deles dedicados à equipe nacional. Maurício segue atuando no vôlei. Ele vai disputar o campeonato italiano pelo Maceratta.
Giovane, que no dia 7 vai completar 34 anos, considerou a medalha de ouro a realização do sonho de voltar ao pódio olímpico depois de ter passado quase três anos jogando vôlei de praia, entre 1997 e 1999.
"Estava faltando alguma coisa. Agora o senso de realização é muito grande. Provavelmente estou me despedindo sim, fica uma tristeza grande, mas isso tinha de acontecer", comentou o Giovane, jogador da Unisul.
Para Nalbert, que atuou em Atenas depois de passar por um difícil período de recuperação de uma cirurgia no ombro, a missão no vôlei de quadra foi cumprida, mas ele espera voltar a representar o Brasil na Olimpíada de Pequim, em 2008, como jogador de vôlei de praia.
"Os últimos quatro anos foram de realização total para mim. Mas a decisão está tomada. Saio da quadra em 2005 e me tornar um bom jogador na areia é um desafio que me estrimula", disse o jogador de 30 anos, que assinou contrato com o Banespa, clube pelo qual pretende se aposentar como atleta de quadra. Em meados de 2005 ele vai escolher o parceiro no vôlei de praia.
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| Escadinha (e) e Gustavo brincam com a medalha de ouro conquistada em Atenas |
MUITOS PRÊMIOS NA BAGAGEM
Além da medalha de ouro, cada jogador recebeu a premiação de 150 mil reais da Confederação Brasileira de Vôlei pela conquista do título. Alguns atletas ganharam também o prêmio de destaques individuais no torneio olímpico.
O atacante Giba foi eleito pela Federação Internacional de Voleibol (FIVB) o melhor jogador da competição. Dante ganhou o prêmio de melhor atacante. Ricardinho foi o melhor levantador. E Sérgio foi contemplado com os prêmios de melhor recepção, passe e líbero.
"Fico feliz com os prêmios individuais, mas meu objetivo único era a medalha de ouro", comentou Sérgio, que está se transferindo para o voleibol da Itália junto com o atacante Anderson.
Eles vão jogar no Piacenza e estarão mais próximos dos jogadores italianos, com quem os brasileiros passaram a ter uma grande rivalidade nos últimos anos, culminada com a disputa pelo ouro na final em Atenas.
"Joguei quatro ou cinco anos na Itália, esses jogadores vão chegar valorizados e com muita moral", disse Nalbert. "É muito melhor dar de cara com os italianos como vitoriosos em uma Olimpíada."