Torben Grael, o maior atleta olímpico brasileiro, admitiu nesta quinta-feira que está atrás na briga por uma vaga para as Olimpíadas de Pequim, em 2008. Os motivos são seu afastamento da classe Star, em que pretende fazer a campanha para os Jogos da China, e os bons resultados de seus adversários diretos, Robert Scheidt e Bruno Prada.
 Torben Grael, na foto em ação na Louis Vuitton Cup, vê vantagem de rival na Star |
Scheidt, dono de três medalhas olímpicas na classe Laser, espécie de kart da vela, anunciou a campanha para Pequim na Star no ano passado. Ao lado do proeiro Bruno Prada, ele se dedica ao novo barco, velejado em duplas, desde 2004.
Em 2006 velejou exclusivamente na embarcação. Entre vários bons resultados, foi vice-campeão mundial em São Francisco, em outubro de 2006, e liderou o ranking mundial até o início de 2007. Neste ano, venceu o Troféu Princesa Sofia, na Espanha, principal competição da classe disputada na Europa até agora na temporada.
"Considero a dupla Robert e Bruno ampla favorita para a vaga no momento. Eles estão se dedicando em tempo integral desde agosto de 2004 e têm participado, com sucesso, de todas as competições possíveis. Eu e o Marcelo (Ferreira, parceiro no bicampeonato olímpico) praticamente não treinamos desde a mesma data", afirma Grael.
Os vilões para a falta de treinamento da dupla são outras competições de vela. Juntos, Torben e Marcelo terminaram em terceiro lugar na Volvo Ocean Race, regata de volta ao mundo, a bordo do barco Brasil 1. Depois, desde agosto de 2006, Torben está em campanha para a America's Cup, a mais tradicional competição da modalidade.
Ele é tático do barco Luna Rossa, que disputa, a partir de segunda-feira, as semifinais da Copa Louis Vuitton, torneio classificatório para a America's Cup. Só o campeão se classifica para desafiar o atual detentor da copa, o suíço Alinghi, em uma série de melhor de nove regatas.
E, caso Torben e sua equipe alcancem a final, o brasileiro pode ficar ainda mais atrás do rival. No final de junho, será disputado o Mundial da Isaf (Federação Internacional de Vela), em Cascais, em Portugal. A competição vale a vaga para o país nas Olimpíadas de Pequim, mas não classifica nominalmente os velejadores. É, porém, um indicativo de quem é o favorito para ir à China.
"Pretendo, sim, fazer o Mundial de Cascais. E será obviamente difícil pela falta total de treinamento e de tempo para nos prepararmos para competir por lá", admite Torben, que ainda vê mais problemas: "E caso o Luna Rossa consiga chegar lá (na final da America's Cup) e a copa for longa, por exemplo com um placar de 5 a 4, seria complicado chegar bem em Portugal. Mas esse é um bom problema, não acha?"
As semifinais da Copa Louis Vuitton começam na próxima segunda-feira. O barco de Torben terminou a primeira fase em terceiro lugar entre 11 equipes e vai enfrentar o segundo colocado, Oracle, dos Estados Unidos. O time que vencer a melhor-de-nove regatas enfrenta o vencedor de Team New Zealand, da Nova Zelândia, contra Desafio Espanhol.
O atual campeão é o Alinghi, da Suíça, que só entra na disputa na America's Cup propriamente dita, contra o campeão da Louis Vuitton. Essa fase está programada para o período de 23 de junho a 7 de julho. O Mundial de Cascais, que Torben pretende disputar, começa no dia 28 de junho.