Não é novidade que a vela é um esporte elitista. E a partir desta segunda-feira, a competição esportiva mais antiga do planeta dá mais uma prova de seu poderio econômico. Com o brasileiro Torben Grael como protagonista, a America's Cup entra em sua fase final com um orçamento aproximado de R$ 3 bilhões.
A America's Cup é a mais importante e antiga competição de vela do planeta. Ela é disputada em formato de "match race", no qual apenas dois barcos disputam cada regata, com o vencedor marcando um ponto.
A primeira etapa é chamada de Louis Vuitton Cup, um torneio classificatório em que é definido o desafiante do atual detentor da Copa. Esta etapa é dividida em duas fases. Na primeira, os 11 desafiantes se enfrentam entre si duas vezes. Os quatro melhores chegam às semifinais, disputadas em melhor-de-nove regatas, mesmo formato da final.
O vencedor da Louis Vuitton Cup se classifica para a America's Cup propriamente dita, que é a grande final entre o campeão da edição anterior e o vencedor do torneio entre os desafiantes. A final também é disputada em melhor-de-nove regatas.
Os 12 participantes (um defensor e 11 desafiantes) estão velejando para conquistar a "100 Guinea Cup", considerado o troféu em disputa mais antigo do mundo. A America's Cup é disputada desde 1851 e tem o nome porque os seus primeiros campeões defendiam um clube dos EUA. |
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| ENTENDA A AMERICA'S CUP |
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A cifra é a mesma que a soma dos investimentos dos governos federal, estadual e municipal para organizar os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, a partir de 13 de julho. O detalhe, porém, é que a infra-estrutura necessária para o evento de vela não exige investimentos pesados em novas instalações, como novos estádio ou ginásios.
O orçamento das 12 equipes participantes desta edição da America's Cup atinge R$ 2,19 bilhões. O restante da conta vem da cidade de Valência, na Espanha. Os organizadores pagaram R$ 820 milhões só pelo direito de abrigar a disputa. E o evento já movimenta, em toda a Espanha, desde 2004, mais de R$ 16,3 bilhões.
Os valores são tão altos que podem ser comparados apenas com os do circo da Fórmula 1 e suas equipes milionárias. Para o campeonato de vela, quatro equipes tiveram orçamento igual ou superior a R$ 218 milhões. Uma delas, a norte-americana Oracle, gastou R$ 408 milhões em sua campanha de quatro anos. O valor é superior, por exemplo, aos R$ 350 milhões que a Prefeitura do Rio de Janeiro gastou para construir o Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, principal obra do Pan.
Um dos maiores nomes da competição, o brasileiro Torben Grael também está em uma equipe de peso. Ele é o tático do Luna Rossa, time italiano que há três edições chega às semifinais da Louis Vuitton Cup, o torneio classificatório para a grande final da America's Cup.
O Luna Rossa, bancado pelo bilionário Patrizio Bertelli, dono da Prada, tem um orçamento de R$ 327 milhões. O valor é usado no pagamento de velejadores, que estão entre os melhores e mais bem pagos do mundo, e no desenvolvimento e construção dos veleiros, projetados com as mais avançadas tecnologias disponíveis.
| ORÇAMENTO DAS EQUIPES |
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| Campeão |
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| Alinghi (SUI): R$ 327 milhões |
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| Desafiantes |
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| Oracle (EUA): R$ 408 milhões |
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| Luna Rossa (ITA): R$ 327 milhões |
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| Team New Zealand (NZL): R$ 217,6 mi |
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| Desafío Español 2007 (ESP): R$ 163,2 mi |
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| Eliminados |
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| Mascalzone Latino (ITA): R$ 190,4 mi |
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| Team Germany (ALE): R$ 136 milhões |
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| Victory (SUE): R$ 136 milhões |
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| Areva (FRA): R$ 108,8 milhões |
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| Shosholoza (AFS): R$ 68 milhões |
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| +39 (ITA): R$ 54,4 milhões |
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| China Team (CHN): R$ 54,4 milhões |
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| TOTAL: R$ 2,19 bilhões |
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"Cada equipe de ponta conta com dois barcos novos, construídos para essa edição, e duas tripulações. Mas isso não quer dizer que apenas equipes bilionárias, ou patrocinadas por bilionários, podem competir. O time neozelandês, por exemplo, ganhou a Copa em duas oportunidades com orçamentos que não eram os mais altos", diz Torben Grael.
Brasil na America's Cup?O exemplo citado pelo brasileiro é o Team New Zealand, que em 2000, com um orçamento modesto e um pool de patrocinadores, defendeu o título de 1995 com sucesso e em 2003 perdeu a Copa para o suíço Alinghi, atual campeão. O exemplo de uma nação tão pequena com projetos esportivos tão ousados faz Torben sonhar alto.
"Tivemos nesta Copa também a participação honrosa de uma equipe pequena da África do Sul. A Nova Zelândia é um país pequeno e de economia muito menos expressiva do que a nossa e está aí há anos. Então vejo que no futuro é possível uma participação de sucesso do Brasil na Copa", diz o velejador.
Para o bicampeão olímpico, a prova de que o Brasil pode entrar nesse mundo milionário foi dada em 2005, com o projeto Brasil 1. A equipe foi a primeira do país a disputar a Volvo Ocean Race, a mais famosa regata de volta ao mundo. Foi o maior projeto esportivo da história do país, com custo total aproximado de R$ 40 milhões.
Levando em conta o orçamento do Brasil 1 em 2005 e os custos de algumas das equipes que disputaram esta edição da America's Cup, o sonho é distante, mas possível. O China Team, que venceu apenas uma regata em toda a competição, teve um orçamento total de R$ 54,4 milhões. "Acho que o Brasil 1 foi um marco para a nossa vela e abre horizontes para novas aventuras e competições importantes", sonha Grael.