A final da Louis Vuitton Cup, que classifica para a America's Cup, começa nesta sexta-feira e o brasileiro Torben Grael é o velejador mais importante na disputa. Tático do barco italiano Luna Rossa, o bicampeão olímpico é considerado vital no confronto melhor-de-nove contra o Time Nova Zelândia.
| ENTENDA A LOUIS VUITTON |
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A America's Cup é a mais importante e antiga competição de vela do planeta. Ela é disputada em formato de "match race", no qual apenas dois barcos disputam cada regata, com o vencedor marcando um ponto.
A primeira etapa é chamada de Louis Vuitton Cup, um torneio classificatório em que é definido o desafiante do atual detentor da Copa. Esta etapa é dividida em duas fases. Na primeira, os 11 desafiantes se enfrentam entre si duas vezes. Os quatro melhores chegam às semifinais, disputadas em melhor-de-nove regatas, mesmo formato da final.
O vencedor da Louis Vuitton Cup se classifica para a America's Cup propriamente dita, que é a grande final entre o campeão da edição anterior e o vencedor do torneio entre os desafiantes. A final também é disputada em melhor-de-nove regatas.
Os 12 participantes (um defensor e 11 desafiantes) estão velejando para conquistar a "Auld Mug", considerado o troféu em disputa mais antigo do mundo. A America's Cup é disputada desde 1851 e tem o nome porque os seus primeiros campeões defendiam um clube dos EUA. |
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TORBEN LONGE DE PEQUIM-2008 |
É do brasileiro a responsabilidade de decidir qual a melhor estratégia para o barco italiano ser mais rápido do que o neozelandês. E será do brasileiro, também, a responsabilidade pelo fracasso. Por isso, ele está sendo chamado de mágico e subversor por quem acompanha o evento, o mais importante da vela no planeta.
"O Torben é um talento fenomenal e o Luna Rossa é um time muito difícil de enfrentar. Eles não jogam pelas regras do match race. Eles apenas usam as estratégias normais nos momentos em que acham ela é a correta. O Luna Rossa está sempre procurando o diferente", elogia o australiano John Bertrand, comandante do Austrália II, primeiro barco não-americano a conquistar a America's Cup, em 1983.
Quem não está tão convencido com os elogios é Terry Hutchinson, que faz a mesma função de Torben no barco da Nova Zelândia. "O Luna Rossa não tem medo de ousar, mas nosso time tem um estilo mais cauteloso. Estamos felizes em vencer por pouco, não procuramos sempre vencer por muito porque tentando isso você não consegue controlar a regata. Mas o Torben e sua tripulação fazem isso muito bem e vai ser um confronto interessante", diz o norte-americano.
Essa tendência a fazer o diferente é justamente o que caracteriza Grael, que está em sua terceira campanha para a America's Cup - o vencedor da LV Cup disputa a grande final contra o atual campeão da AC, o suíço Alinghi. Nas anteriores, ele já era considerado um dos melhores do mundo.
Ele, por exemplo, foi apontado como o grande responsável pela vitória italiana na final da LV Cup de 2000, quando sua equipe bateu o time norte-americano na decisão e se classificou para enfrentar o Time Nova Zelândia na grande final. Não conquistou a America's Cup, mas virou uma lenda.
Prova disso é o site da própria America's Cup. Ao falar sobre a final, não faltam elogios ao brasileiro. Em um texto sobre o confronto entre os dois táticos do confronto (quem exerce a função no Time NZL é o norte-americano Terry Hutchinson), Torben é chamado de mágico: "É corajoso quem tem a audácia de tomar uma decisão que diverge da do mago brasileiro Torben Grael. Com cinco medalhas olímpicas em seu nome, é difícil negar que Torben Grael tem o dom para apostar e ganhar".