UOL Esporte Vela
 
09/07/2007 - 16h13

Octo na Laser, Scheidt agora é campeão mundial da Star

Bruno Doro
No Rio de Janeiro
O paulista Robert Scheidt se colocou definitivamente na lista dos maiores velejadores da atualidade. Depois de conquistar oito títulos mundiais na classe Laser, individual, nesta segunda-feira ele ganhou o Mundial de Cascais na Star, classe a que se dedica há três anos.

Após o título mundial da dupla Robert Scheidt e Bruno Prada na classe Star, o Brasil tem mais um campeão. Ricardo Winicki, o Bimba, conquistou o mundial da classe RS:X, prancha a vela, em Cascais, Portugal.
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A façanha aconteceu no Mundial da Isaf (Federação Internacional de Vela, em tradução livre), classificatório para as Olimpíadas. Scheidt velejou ao lado de Bruno Prada, veterano de Pan-Americanos da classe Finn, que se tornou proeiro do hexacampeão na mudança de barcos.

"Eu me sinto muito, muito feliz. Esse título é especial, diferente. Consegui provar o meu valor em outra categoria olímpica, o que prova que a transição de classe foi bem feita. Devo muito dessa conquista ao Bruno, que é um grande velejador, além de grande amigo. Crescemos muito como dupla e conseguimos uma série irrepreensível aqui em Cascais", disse Scheidt.

Ele e Prada venceram quatro das 10 regatas disputadas em Portugal e ficaram fora dos cinco primeiros lugares apenas uma vez. "Estou alucinado. É uma sensação única ser campeão mundial. Cada conquista tem o seu sabor, mas poucas foram tão gostosas como essa", afirmou Prada, bronze no pan-americano da Finn em 1999. "O nível do campeonato foi muito forte. Se velejássemos mal, nem na Regata da Medalha nós chegaríamos", completou Scheidt.

Robert Scheidt nem vai ter tempo para aproveitar o título mundial da classe Star, que conquistou nesta segunda-feira em Cascais, em Portugal. Classificado para o Pan-Americano, ele terá de correr para chegar à tempo de se readaptar ao seu barco velho, o Laser, e às condições da Baía de Guanabara.

Scheidt deve chegar ao Rio no dia 14, um dia depois da cerimônia de abertura do Pan. As regatas do Rio 2007 começam no dia 22 e o velejador deve usar cada dia disponível para treinamentos.
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O último dia, que coroou a dupla brasileira, foi marcado pelos fortes ventos e a ansiedade. Como a "medal race" (Regata da Medalha, uma espécie de final) tem peso dois e o resultado não pode ser descartado, somente os cinco primeiros colocados do campeonato tinham chances de título. Se os franceses Rohart e Rambeau vencessem, Scheidt e Prada precisariam chegar em segundo para ficar com o título.

As regatas deveriam ter começado às 13 horas em Portugal (9h de Brasília), mas foram adiadas. Na água, os ventos variavam de 26 a 40 nós, chegando perto de 75 km/h. O limite para que os veleiros largassem era 15h59 de Brasília.

"Foi um dia muito tenso. Ficamos naquela angústia esperando pela regata. Chegamos a ir para a água, fizemos o procedimento de largada, mas então a prova foi cancelada. Mas eu e o Bruno já tínhamos combinado em velejar forte e conseguir a vitória", falou Scheidt.

Como até o horário limite as condições de vento impossibilitavam as provas, a medal race foi cancelada e foi mantido o resultado de domingo. Com isso, Scheidt garantiu o primeiro lugar, os franceses Xavier Rohart e Pascal Rambeau ficaram em segundo e os britânicos Iain Percy e Andrew Simpson terminaram em terceiro.

Com o título, Scheidt e Prada confirmam o favoritismo para ir às Olimpíadas de Pequim na Star. A concorrência, porém, promete ser grande. Torben Grael e Marcelo Ferreira, a melhor dupla da história do esporte olímpico brasileiro, com dois ouros e um bronze em três Olimpíadas, é a grande rival.

Torben e Marcelo ficaram três anos afastados da classe Star e disputaram apenas os Campeonatos Mundiais de 2005 e 2006 e poucas provas no Brasil, sem, no entanto, treinar para as disputas. Os dois fizeram parte da tripulação do Brasil 1, barco que deu a volta ao mundo entre 2005 e 2006.

Depois, Torben embarcou diretamente para sua campanha da America´s Cup, na qual chegou à decisão do torneio classificatório. Ele só ficou livre para voltar à Star no dia 6 de junho, menos de um mês antes da estréia no Mundial. Mesmo assim, os dois terminaram em 13º lugar e só não foram para a medal race porque levaram uma bandeira preta na última regata.

O Star é o barco mais antigo da vela olímpica, nos Jogos desde 1932. Até hoje, a classe é considerada a mais difícil e competitiva entre as 11 disputadas nos Jogos. Entre os campeões mundiais estão lendas da modalidade, como os norte-americanos Paul Cayard e Dennis Conner, que ficaram famosos na America´s Cup, a mais importante competição da vela no planeta.

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