UOL Esporte Vela
 
09/07/2007 - 16h17

Grael e Ferreira admitem favoritismo de Scheidt, mas ainda sonham

Bruno Doro
No Rio de Janeiro
Torben Grael e Marcelo Ferreira, a dupla mais vitoriosa do esporte olímpico brasileiro, terá um grande desafio para disputar os Jogos Olímpicos pela quinta vez seguida: bater os novos campeões mundiais Robert Scheidt e Bruno Prada.

Depois de conquistar oito títulos mundiais na classe Laser, individual, Robert Scheidt venceu nesta segunda-feira o Mundial de Cascais na classe Star, a que se dedica há três anos.

A façanha aconteceu nas raias da cidade portuguesa de Cascais, onde está sendo realizado o Mundial da Isaf (Federação Internacional de Vela, em tradução livre), classificatório para as Olimpíadas. Scheidt velejou ao lado de Bruno Prada, veterano de Pan-Americanos da classe Finn, que se tornou proeiro do hexacampeão na mudança de barcos.
SCHEIDT VENCE MUNDIAL DE CASCAIS NA CLASSE STAR
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Com três medalhas no currículo, a dupla tem experiência de sobra para o desafio. Em 20 anos de parceria, eles foram praticamente imbatíveis no Brasil no período. Em Olimpíadas, juntos eles conquistaram dois ouros (Atlanta-1996 e Atenas-2004) e um bronze (Sydney). Barcelona-1992 foi a única edição sem pódio.

"É claro que o Robert e o Bruno chegam como grande favoritos. Eles se dedicaram só a isso nos últimos três anos. Não apenas pelo título mundial, mas pelo que eles já fizeram. No ano passado, já tinham sido vice-campeões mundiais", diz Torben, antes de completar: "Eles são os grandes favoritos, mas isso não quer dizer que a vaga já é deles".

O resultado de Scheidt e Prada no Mundial de Cascais garante o Brasil nas Olimpíadas de Pequim na classe Star, mas não assegura a vaga da duplas nos Jogos. A vaga foi conquistada pelo país e eles terão de vencer uma seletiva nacional, no ano que vem, para confirmar o lugar.

A confiança de Torben está alta depois do Mundial. Apesar de terem terminado em 13º lugar, ele e Marcelo ficaram satisfeitos com o desempenho após três anos afastados da classe. "A gente chegou sem treino nenhum e ainda quase pegamos a medal race (última regata, com peso dois, apenas com os dez primeiros colocados). Agora vamos nos dedicar à Star e o desempenho deve melhorar", avisa o velejador.

Como desde 1992 Torben e Marcelo não perdem uma seletiva olímpica, a briga promete ser boa, na água e fora. As duas duplas se destacam por inovações tecnológicas. Em Atenas e Sydney, por exemplo, Torben e Marcelo chegaram com barcos revolucionários, desenvolvidos pelos próprios velejadores.

Para Pequim, Torben não confirma, mas deve criar mais uma inovação. "Isso é coisa técnica, acho melhor não falar sobre isso", afirma o cinco vezes medalhista olímpico. Longe de Marcelo, ele tem mais duas medalhas, uma de prata de Los Angeles-1984 e outra de bronze de Seul-1988.

Scheidt e Prada também estão desenvolvendo um novo barco, com o projetista argentino Juan Kouyoumdjian, que estrearam no começo do ano. Em Portugal, ele competiram com um barco italiano.

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