Bicampeão olímpico, Torben Grael queria disputar uma nova volta ao mundo com um time brasileiro. Uma série de problemas, porém, acabou com o sonho e ele aceitou o desafio de comandar o time sueco Ericsson na Volvo Ocean Race 2008/2009, com largada em outubro do ano que vem, na Espanha.
Entre os fatores que acabaram com o projeto estão os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro e a proximidade com as Olimpíadas de Pequim, em agosto do ano que vem. "Desde o final da última Volvo tentamos organizar uma segunda edição do Brasil 1, mas uma série de fatores acabou impedindo. O Pan do Rio, a periodicidade (o intervalo entre as edições caiu de quatro para três anos) e a proximidade das Olimpíadas foram alguns deles, que acabaram dificultando a entrada de recursos", afirma o velejador.
Segundo Torben, quando ele aceitou o convite do Ericsson, o projeto brasileiro já estava praticamente descartado. "Se começássemos a construção hoje, teríamos o mesmo tempo de preparação da última vez. Para uma primeira vez, valia o esforço. Para a segunda, não. Não daria para disputar em igualdade de condições", explicou Grael.
Dirigentes do projeto Brasil 1, Enio Ribeiro e Alan Adler tentaram, até outubro, manter vivo o sonho. Mesmo sem Grael, eles pensavam em montar uma equipe com jovens velejadores e usar um dos barcos que disputou a última Volvo Ocean Race, em um projeto bem mais modesto do que o primeiro.
A falta de recursos para a vela deixa Torben preocupado. Segundo ele, mesmo em comparação com outros esportes olímpicos a modalidade está em desvantagem. "Vários esportes tem apoio de empresas estatais e a vela, o maior esporte olímpico do país, não tem. Isso é ruim para trazer novos valores para o esporte. É difícil você chegar ao nível internacional, fazer uma campanha olímpica, por exemplo, e quando se prepara para a segunda tentativa, esbarrar nos mesmo problemas de falta de apoio da primeira vez. Os mais jovens desanimam", lamenta.
Não apenas projetos de grandes proporções, como o Brasil 1, sofrem na vela. A própria Confederação Brasileira está sem patrocínio. A equipe permanente de vela olímpica contou, durante anos, com o apoio de uma estatal, mas desde as Olimpíadas de 2004 essa equipe não tem patrocínio.