UOL Esporte Vela
 
13/11/2007 - 15h19

Pan e proximidade de Pequim prejudicaram novo Brasil 1, diz Grael

Bruno Doro
Em São Paulo
Bicampeão olímpico, Torben Grael queria disputar uma nova volta ao mundo com um time brasileiro. Uma série de problemas, porém, acabou com o sonho e ele aceitou o desafio de comandar o time sueco Ericsson na Volvo Ocean Race 2008/2009, com largada em outubro do ano que vem, na Espanha.

EFE
Torben Grael anuncia que vai comandar a Ericsson na Volvo Ocean Race 2008/2009
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Entre os fatores que acabaram com o projeto estão os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro e a proximidade com as Olimpíadas de Pequim, em agosto do ano que vem. "Desde o final da última Volvo tentamos organizar uma segunda edição do Brasil 1, mas uma série de fatores acabou impedindo. O Pan do Rio, a periodicidade (o intervalo entre as edições caiu de quatro para três anos) e a proximidade das Olimpíadas foram alguns deles, que acabaram dificultando a entrada de recursos", afirma o velejador.

Segundo Torben, quando ele aceitou o convite do Ericsson, o projeto brasileiro já estava praticamente descartado. "Se começássemos a construção hoje, teríamos o mesmo tempo de preparação da última vez. Para uma primeira vez, valia o esforço. Para a segunda, não. Não daria para disputar em igualdade de condições", explicou Grael.

Dirigentes do projeto Brasil 1, Enio Ribeiro e Alan Adler tentaram, até outubro, manter vivo o sonho. Mesmo sem Grael, eles pensavam em montar uma equipe com jovens velejadores e usar um dos barcos que disputou a última Volvo Ocean Race, em um projeto bem mais modesto do que o primeiro.

A falta de recursos para a vela deixa Torben preocupado. Segundo ele, mesmo em comparação com outros esportes olímpicos a modalidade está em desvantagem. "Vários esportes tem apoio de empresas estatais e a vela, o maior esporte olímpico do país, não tem. Isso é ruim para trazer novos valores para o esporte. É difícil você chegar ao nível internacional, fazer uma campanha olímpica, por exemplo, e quando se prepara para a segunda tentativa, esbarrar nos mesmo problemas de falta de apoio da primeira vez. Os mais jovens desanimam", lamenta.

Não apenas projetos de grandes proporções, como o Brasil 1, sofrem na vela. A própria Confederação Brasileira está sem patrocínio. A equipe permanente de vela olímpica contou, durante anos, com o apoio de uma estatal, mas desde as Olimpíadas de 2004 essa equipe não tem patrocínio.

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