UOL Esporte Vela
 
19/09/2008 - 15h08

Grael condiciona nova campanha olímpica a competitividade e patrocínio

Do UOL Esporte
Em São Paulo
Maior medalhista olímpico do Brasil, Torben Grael admitiu nesta sexta-feira realizar uma sétima campanha para disputar os Jogos Olímpicos. Dono de duas medalhas de ouro, uma prata e duas de bronze, o velejador afirmou, porém, que só dará seqüência ao plano caso se sinta competitivo para isso.

GRAEL: CALENDÁRIO FAVORÁVEL POR CAMPANHA EM LONDRES-2012
Crédito
Após sofrer com o calendário corrido nos últimos três ciclos olímpicos, em 2012 Grael não deve ter problemas. O veterano vai disputar a Volvo Ocean Race, que termina em 2009, enquanto o antigo vilão, a America's Cup, segue sem data definida. O atual campeão, Alinghi, e o time dos EUA BMW-Oracle travam uma disputa judicial sobre a forma da próxima disputa. Pela última decisão dos tribunais, os dois times devem se enfrentar em 2009, em catamarãs gigantes. Enquanto isso, os outros times que iriam participar esperam e devem disputar a Louis Vuitton Cup, em fevereiro.
DUELO COM SCHEIDT EM 2012, NO RIO
"A regata de volta ao mundo termina bem antes de Londres-2012 e terei tempo para fazer uma preparação bem feita. Por isso, corro o Mundial do Rio (em 2010) e, se for bem e conseguir apoio para uma nova campanha, acho que posso me animar para mais uma Olimpíada", admitiu o veterano, que vai seguir velejando com seu parceiro há 20 anos e companheiro no bicampeonato olímpico, Marcelo Ferreira.

Essa preocupação com competitividade tem origem em Robert Scheidt. Ao lado de Bruno Prada, o velejador paulista assumiu a vaga de Torben Grael na classe Star e, nos Jogos de Pequim, conquistou a medalha de prata - o quarto pódio seguido do Brasil na classe mais antiga da vela olímpica. Para Londres-2012, Scheidt e Prada já anunciaram o início da preparação.

Aos 48 anos, Torben ainda está longe de dar esse passo. Antes, embarca para sua segunda regata de volta ao mundo. A partir de 4 de outubro começa a Volvo Ocean Race 2008/2009. Na última edição, ele foi o comandante do Brasil 1, o primeiro barco brasileiro a disputar a competição, que terminou em terceiro lugar. Desta vez, é o responsável pelo barco principal do time sueco Ericsson, que terá duas embarcações.

Ao contrário de sua estréia, desta vez Torben começa a volta ao mundo como favorito. Os suecos foram o primeiro time a começar a se preparar para a Volvo 08/09, construíram dois barcos, além de dois que o time já tinha, que disputaram a Volvo 05/06, e treinaram sempre em dupla, o que tornou possível comparar velocidades. Foi justamente o trunfo que o último campeão, ABN Amro One, usou em sua campanha vitoriosa.

Com isso, o brasileiro irá comandar um veleiro de quarta geração, contra o de primeira que velejou em 2005. O resultado disso será um barco muito mais seguro. Com o Brasil 1, por exemplo, Grael enfrentou danos estruturais e um mastro quebrado. Outros concorrentes daquela competição também tiveram problemas e um barco até mesmo afundou.

"Esses barcos muito mais confiáveis do que os antigos. Mas o imponderável existe, até porque esses barcos andam sempre no limite do desempenho. Mas tenho certeza de que vai ter muito menos quebras. Os veleiros são muito mais desenvolvidos", explicou o velejador.

Em sua tripulação, Grael terá outros dois brasileiros: Joca Signorini e Horacio Carabelli. O outro barco do time Ericsson terá apenas velejadores nórdicos. Os outros concorrentes são dois barcos do time espanhol Telefonica, o norte-americano Puma, o Team Rússia, o chinês Green Dragon e o holandês Delta Lloyd. A Volvo Ocean Race começa em outubro e segue até o meio de 2009, passando por dez países em dez etapas.

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