A Confederação Brasileira de Vela e Motor deve continuar sem presidente. Interventor da entidade nomeado pelo Comitê Olímpico Brasileiro desde fevereiro de 2007, Carlos Luiz Martins desistiu de lançar sua candidatura para a presidência na Assembléia Geral, que será realizada na próxima sexta-feira.
O anúncio era dado como certo há algumas semanas e agora pode nem mesmo acontecer. A candidatura de Martins ainda é uma possibilidade, mas esbarra nas pendências legais da CBVM.
Em levantamento feito recentemente, a entidade responde a cerca de 40 processos, contando aqueles em que é ré-conjunta do bingo que costumava patrociná-la. No ano passado, as dívidas só em multas da Receita Federal superam os R$ 100 milhões. O salto de interventor para presidente implicaria risco de Martins ser responsabilizado nessas ações.
O motivo é o mesmo alegado por Lars Grael em janeiro de 2007 para deixar a entidade. O velejador, duas vezes medalhista olímpico, foi eleito em 2006, mas renunciou 12 dias após assumir o posto, ao descobrir os problemas legais e tributários da entidade. Ele era um dos que apoiava a candidatura de Martins.
Perto de completar dois anos à frente da CBVM, Martins admite que o período foi negativo para a modalidade. Mesmo assim, destaca que as mudanças implementadas estão surtindo efeito. "Conseguimos implementar um novo modelo de gestão que deixou a entidade mais eficiente e estamos gerenciando as dívidas que não são poucas", afirmou.
Apesar do limbo na situação legal, esportivamente a entidade segue forte. Nas Olimpíadas de Pequim, em agosto, foram duas medalhas, a prata de Robert Scheidt e Bruno Prada na classe Star e o bronze de Fernanda Oliveira e Isabel Swan na 470 feminina.
"A vela brasileira novamente brilhou nas Olimpíadas e mantivemos a modalidade como a que mais medalhas olímpicas deu ao país. Acho que conseguimos alcançar nossos objetivos", disse Martins.