A Volvo Ocean Race larga na madrugada de sábado para domingo de Cingapura para Qingdao, na China. Sede das competições de vela dos Jogos Olímpicos de Pequim, realizados no ano passado, a cidade chinesa vai receber velejadores brasileiros que, se no passado eram sinônimo de Olimpíadas, agora não poderiam estar mais afastados.
O principal nome do grupo é o veterano Torben Grael. Dono de cinco medalhas olímpicas, duas delas de ouro, o velejador radicado em Niterói é o comandante do Ericsson 4, barco que lidera a mais tradicional regata de volta ao mundo. Maior atleta olímpico da história, Torben não disputou as Olimpíadas de Pequim e, desde o ouro em Atenas-2004, competiu muito pouco na classe Star, que a consagrou ao lado do parceiro Marcelo Ferreira.
Além dele, outros dois velejadores que já brilharam em Olimpíadas pelo Brasil estão disputando a regata de volta ao mundo. Joca Signorini, que ficou entre os dez melhores da classe Finn em Atenas-2004 é, agora, parceiro de Grael no Ericsson 4.
Principal nome do país na Finn desde 2003, Signorini conquistou a vaga olímpica para o país em Pequim-2008, mas, por causa da Volvo, nem mesmo disputou a seletiva nacional para os Jogos - o Brasil foi representado na China por Eduardo Couto, que não tinha experiência na classe.
O outro é André Fonseca, que acaba de ser recrutado para ser um dos timoneiros do Delta Lloyd, último colocado da competição. O velejador catarinense é o único dos brasileiros que foi para Pequim-2008, foi 7º colocado na classe 49er ao lado de Rodrigo Duarte, e já tinha anunciado campanha para Londres-2012.
Ele, inclusive, tinha fechado parceria com Marco Grael, filho mais de velho de Torben, mas colocou o sonho olímpico de lado quando o espanhol Chuny Bermudez, comandante do Delta Lloyd e parceiro de Fonseca na Volvo 2005/2006, o convidou para embarcar em nova volta ao mundo.
O quarto brasileiro na competição é Horácio Carabelli, velejador olímpico pelo Uruguai que se naturalizou brasileiro e, hoje, é um dos projetistas náuticos mais respeitados do país.
O Ericsson 4, de Grael, é o líder da Volvo com 39 pontos. O segundo colocado é o barco espanhol Telefônica Azul, comandado pelo holandês Bouwe Bekking, com 33,5. O terceiro é o norte-americano Puma, de Ken Read. O Delta Lloyd, de Fonseca, é o oitavo colocado, com apenas dez pontos conquistados.
A Volvo Ocean Race é a principal regata de volta ao mundo da vela. Disputada por etapas, com regatas de porto, no estilo olímpico, e portões de pontuação, ela funciona como um circuito, com o campeão garantindo o título por pontos. Depois da China, a competição parte em direção ao Brasil. Os velejadores devem chegar por aqui no dia 20 de março.
* O Team Russia deixou a competição por falta de verba ao chegar em Cingapura, mas segue na classificação oficial