UOL Esporte Vela
 
28/01/2009 - 17h04

Perto do fim da 4ª etapa, barcos da Volvo acumulam problemas

Do UOL Esporte
Em São Paulo
A quarta etapa da Volvo Ocean Race deve terminar nesta quinta-feira. Em, comum, os competidores acumulam problemas a serem resolvidos em Qingdao, na China, porto que recebeu as regatas olímpicas e abrigará os velejadores da mais tradicional regata de volta ao mundo da vela.

A competição largou de Cingapura no dia 18, em direção à costa chinesa. No caminho, de 2500 milhas náuticas (cerca de 4500 km), os velejadores encontraram a mais dura perna disputada na competição até agora. Com ondas gigantes e ventos de até 40 nós, somente quatro dos sete barcos seguem para a China. E, dentro desse grupo, dois tiveram danos graves.

O Ericsson 4, do brasileiro Torben Grael, é o terceiro colocado, mas sofreu com uma quebra que poderia ter custado a etapa. Um dos suportes dos cabos que prendem a genoa ao convés acabou arrancado durante uma tempestade, quebrando uma parte do convés. O barco sueco só seguiu na prova porque o brasileiro Horácio Carabelli fez um conserto emergencial no local, usando uma placa de fibra de carbono levada como garantia a bordo.

"O Horacio colocou todas as esponjas que tínhamos no buraco e seguimos adiante. Não podíamos ir mais rápido do que 7 nós, pois as porradas nas ondas estavam fortes demais. Mais adiante paramos por mais um bom período e Horacio colocou duas placas de carbono cortadas de uma chapa grande que levamos a bordo, aparafusadas no lugar", explicou Grael por e-mail.

"Agora estamos sem storm jib (genoa de tempestade), sem radar, sem AIS (aparelho que fornece o nome, a direção e a velocidade dos navios na área em que navegamos), sem nenhuma informação de vento, o vaso (sanitário) não dá descarga direito, G1 e G3 delaminando (tipos de vela usadas que estão se desfazendo), e (vela) grande com um bom talho e delaminando também", completou o brasileiro.

Os outros barcos que seguem na disputa são o Telefoniza Azul, que lidera a etapa, o Puma, que está em segundo, apenas três milhas à frente do Ericson 4, e o Green Dragon. "Não perdemos nada em relação aos nossos rivais, mas a imagem da terceira etapa sempre volta, quando o Ericsson 4 liderava no último dia, tomou uma decisão errada e nós passamos, como tubarões, e vencemos a perna", contou o comandante do time espanhol, o holandês Bouwe Bekking.

Outros três barcos estão em terra, sendo reparados. O Telefônica Negro abandonou, após sofrer rachaduras no casco. O Delta Lloyd, que tem o brasileiro André Fonseca na tripulação, parou na ilha de Taiwan para consertar problemas estruturais e no sistema do leme. A ilha na costa chinesa também foi o destino do Ericson 3, que quase afundou, com uma rachadura de 4 metros no casco.

A previsão de chegada do primeiro colocado da quarta etapa é para a madrugada de quinta-feira. Os competidores, porém, devem parar assim que chegarem próximos de Qingdao. "Todas as simulações meteorológicas mostram que, perto da chegada, não teremos vento nenhum. O pior é que quem vem atrás deve chegar ainda com velocidade", afirmou Bekking.

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