A mais tradicional regata de volta ao mundo virou uma corrida de sobrevivência, tanto para barcos, quanto para velejadores. A Volvo Ocean Race, que está em Qingdao, na China, e na próxima semana larga para o Rio de Janeiro, começou com quatro barcos, três já desistiram de ir competindo até o Brasil e mais um ainda corre o risco de abandonar a etapa.
"Acho que ninguém esperava que os barcos não agüentassem. Quando cheguei em Cingapura, todos falavam que seria uma etapa dura, mas eu achava que os barcos iriam chegar. No final, a maioria teve problemas e três nem mesmo chegaram", conta André Fonseca, o Bochecha, tripulante brasileiro do time holandês Delta Lloyd.
Como diz o velejador, a perna que foi de Cingapura até a China foi dura com os competidores, com ventos fortes, corrente na direção contrária e ondas grandes e curtas. "As condições eram muito ruins para os barcos. Às vezes, você não conseguia andar. Eu fico decepcionado por não ter terminado", completa Bochecha, que disputou as Olimpíadas de Pequim e só chegou ao Delta Lloyd em Cingapura, para a quarta etapa.
Todos os barcos que largaram da Espanha, em 11 de outubro, já tiveram problemas graves. O líder Ericsson 4, por exemplo, teve um pedaço de seu deck arrancado na última etapa, mesmo com o comandante Torben Grael poupando equipamento durante boa parte da etapa. Vencedor da perna entre Cingapura e China, o Telefonica Azul não anunciou danos estruturais, mas seu comandante, o holandês Bouwe Bekking, sofreu uma série lesão nas costas.
Problemas de equipamento mais graves sofreram o Telefônica Negro, o Delta Lloyd e o Ericsson 3, todos com rachaduras no casco. O barco espanhol e o holandês já desistiram da etapa e vão para o Rio de Janeiro a bordo de cargueiros, para tentar seguir na competição a partir do Brasil.
"É claro que gostaríamos de competir, mas a segurança vem em primeiro lugar. A quinta etapa é longa e teria a passagem pelo Cabo Horn. Preferimos não arriscar", diz o chefe dos dois barcos espanhóis, Pedro Campos.
"Nossos problemas eram muito grandes. Precisaríamos de 15 dias para fazer o conserto e não tínhamos o pessoal para isso. A melhor solução foi mesmo mandar o barco para o Brasil", explica Bochecha.
Já o sueco Ericson 3 está em Taiwan e, segundo a equipe, pretende terminar a quarta etapa e, então, de largar de Qingdao, tudo até o dia 14 de fevereiro. O veleiro teve parte de seu casco recortado e uma nova sessão foi mandada, de avião, da Europa. Com a nova peça, o casco foi refeito. Agora, o time corre contra o tempo para deixar o veleiro pronto para voltar a navegar.
Neste sábado será realizada a regata de porto, que conta pontos para a classificação geral. Os quatro barcos que completaram a etapa até agora, Telefônica Azul, Puma, Ericson 4 e Green Dragon, vão velejar. "É claro que seria mais divertido ter oito barcos na raia. Mas os principais competidores seguem aí", analisa Torben Grael.