| FAMÍLIA NA VELA: MARCO E TORBEN |
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 Marco, na época em que velejava na Laser |
 E Torben, que está competindo na Volvo |
Ser o filho de Torben Grael pode abrir portas, mas também é um peso que Marco carrega toda vez que entra em um barco. Peso que, muitas vezes, chega ao garoto na forma de brincadeiras.
"O nome nunca atrapalhou. Mas o pessoal faz muita brincadeira comigo por conta disso. Mas não tem problema. Eu aprendi a lidar com isso", conta o velejador. |
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| SOBRENOME CAUSA BRINCADEIRAS |
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FAMÍLIA GRAEL DOMINA TIME DE VELA |
Durante anos, Torben Grael deixou seu fiel parceiro, Marcelo Ferreira, de lado, enquanto se dedicava a projetos grandiosos, como a disputa da America's Cup. Agora, é a vez do filho mais velho de Torben, Marco, de 19 anos, viver na pele a experiência de ser o fiel escudeiro de outro velejador.
Desde o início do ano, o jovem Grael aceitou o desafio de se tornar o proeiro de André Fonseca, o Bochecha, veterano de três Jogos Olímpicos. Para isso, Marco irá se mudar para Porto Alegre, onde o catarinense mora e treina. O detalhe, porém, é que a agenda de Bochecha, pelo menos nesse começo de ano, foi tão agitada quanto a de seu pai.
Fonseca foi recrutado por um velho amigo para disputar a regata de volta ao mundo Volvo Ocean Race pela segunda vez. O problema é que, no período em que o catarinense estava velejando com o time Delta Lloyd, Marco deveria estar treinando, para se adaptar à classe 49er, na qual ele e Bochecha irão buscar a vaga olímpica.
No mesmo período, Marcelo Ferreira, que já faz dupla há mais de 20 anos com Torben, também não velejou. O veterano bicampeão olímpico está afastado da Star desde 2007, quando ele e Torben terminaram em quarto lugar no Europeu da classe Star.
"Acho que essa é uma situação normal. Meu pai já tinha feito campanhas olímpicas e estava buscando o sucesso nas regatas de Oceano. O Bochecha ainda está se firmando, mas é uma situação complicada, já que o dinheiro está mesmo na vela de Oceano", conforma-se o jovem velejador.
Marco está ansioso pela mudança de casa. Como o calendário ainda não está definido, ele segue morando em Niterói, na casa dos pais. Mas assim que o companheiro definir os planos para a campanha olímpica, sua vida mudará para Porto Alegre.
"Acho que essa mudança caiu como uma luva. A campanha olímpica é uma meta que eu tinha, o Bochecha é um velejador experiente e sempre que você muda de classe, evolui. Além disso, deixar a casa dos meus pais era algo que uma hora tinha de acontecer", conta Marco, que além de velejar, ainda fará faculdade no sul do país.
Bochecha e o jovem Grael velejaram pouco tempo juntos até agora. No começo do ano, os dois treinaram por três dias em Florianópolis, pouco antes de Bochecha partir para Cingapura, onde se juntou ao time da Volvo. Depois, os dois só voltaram a se encontrar há duas semanas, já para a Semana Pré-Olímpica, que definiu os classificados para a seleção permanente.
Bochecha só chegou para a competição no segundo dia - no primeiro, Marco velejou com Rodrigo Duarte, proeiro do time brasileiro da 49er em duas Olimpíadas. Apesar da falta de entrosamento, a nova dupla conquistou a vaga. Mas o tempo juntos pode, novamente, ser cortado.
Bochecha pode voltar ao Delta Lloyd em março, quando a regata de volta ao mundo chega ao Rio de Janeiro. O time teve problemas sérios na etapa que o brasileiro disputou, o barco sofreu avarias graves e foi mandado por navio diretamente para o Rio de Janeiro. Quando o time chegar, Bochecha definirá se seguirá na competição.
"Foi decepcionante não completar a etapa. Agora, para o Rio, eu ainda não tenho certeza o que vou fazer. Vou analisar a proposta da equipe, se vamos ter condições de brigar por boas colocações. Além disso, preciso pesar também o que a equipe olímpica poderá fazer", explica o catarinense.