O brasileiro Torben Grael, comandante do Ericsson 4, segue abrindo vantagem na regata de volta ao mundo Volvo Ocean Race. Nesta quarta-feira, o barco sueco foi o primeiro a passar pelo portão de pontuação da latitude 36º Sul, ganhando quatro pontos. Com isso, o time foi a 53 pontos, abrindo 8,5 pontos para o vice-líder, o espanhol Telefônica Azul.
Após a passagem pelo portão, porém, o brasileiro ignorou os modelos climáticos gerados por computador, que indicavam uma rota ao norte como a mais rápida, e seguiu ao sul. O desafio é a passagem por uma grande bolha de pouco vento, que está entre os barcos e a próxima meta da quinta etapa, o portão de gelo (em que os veleiros têm de passar ao norte da linha imaginária formada pela latitude 47º Sul e as longitudes 155º e 140º Oeste).
O Ericsson 4 decidiu contornar a bolha pelo sul, assim como Puma, Telefônica Azul e Green Dragon. O único que foi pelo norte foi o Ericsson 3. "Foi uma decisão difícil. Podíamos seguir o computador e voltar para o norte, de contravento, ou seguir a rota mais tradicional e ir para o sul. Acabamos optando pelo sul, mesmo com o computador dizendo que pelo norte é mais rápido", explicou Grael.
Segundo o brasileiro, o motivo para ignorar o modelo é uma imprecisão do programa. "Normalmente de contravento [condição que seria encontrada velejando para o norte] somos mais lentos do que o computador calcula, por causa da condição do mar. Pelo mesmo motivo, a favor [do vento] vamos mais rápido, o que pode compensar a diferença", continuou o bicampeão olímpico.
"Parece que só o Ericsson 3 optou pelo norte, o que de certa forma nos deixou muito mais tranquilos. Ir sozinho para o sul seria arriscado, mas voltar ao norte depois dos outros, por outro lado, consolidaria também uma grande perda", completou o velejador.
Outros comandantes também analisaram a decisão do Ericsson 3, que passou pelo portão de pontuação em segundo lugar, mas, pela escolha tática, já caiu para a última posição na etapa. "Eu não queria estar na pela do comandante deles. É uma jogada arriscada. Edições anteriores da regata mostram que quem veleja ao sul sempre leva vantagem. Agora, se essa jogada der certo, eles estarão fazendo algo inédito", analisa Bouwe Bekking, do Telefônica.
O sucesso da tática do Ericsson 3 só será medido em três ou quatro dias, já que pela separação dos barcos, as posições fornecidas pela organização pouco indicam como os barcos chegarão ao portão de gelo. No último boletim de posições, das 16 horas, o Ericsson 4 já velejava para o leste e era o barco mais ao sul. O Ericsson 3 é o barco mais ao leste e rumava para o sudeste, mas ainda próximo do portão de pontuação. O Puma adotou uma tática intermediária, velejou entre os dois e também rumava para o sudeste.