UOL Esporte Vela
 
24/03/2009 - 07h03

Vento some, e velejadores já passam fome na Volvo Ocean Race

Bruno Doro
No Rio de Janeiro
A COMIDA NA VOLVO OCEAN RACE
Divulgação
No Ericsson 3, comida não deve ser problema, pois time chegará no limite
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Exemplo da papa que se torna a comida desidratada após ser preparada com água
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Velejadores limpam cozinha no Telefonica Azul. Espanhois devem sofrer com comida
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Velejador coloca água quente para hidratar a comida "de astronauta" usada no oceano
FALTA DE VENTO JÁ PREOCUPA
RIO PREPARA RECEPÇÃO DE BARCOS
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A etapa mais longa da história da regata de volta ao mundo Volvo Ocean Race está fazendo com que os velejadores passem fome. Desde o início da semana, os cinco barcos que velejam em direção ao Rio de Janeiro passaram a racionar comida, após a análise dos modelos climáticos apontar uma jornada lenta até o final da etapa.

A organização esperava que a perna durasse 35 dias. Por precaução, os barcos levaram mantimentos para 40. Nesta terça-feira, os velejadores completaram 38 dias no mar, presos em uma área de pouco vento. A última previsão diz que só o líder Ericsson 3 chegará ao Rio antes dos 40 dias.

"Hoje, dividimos a comida que restou em 11 partes, uma para cada tripulante. A partir de agora, cada um é responsável pelo seu. Estamos com fome e isso só piora a partir de agora", admite o comandante Ian Walker, do barco sino-irlandês Green Dragon, que está quarto lugar na etapa e deve chegar em 42 dias.

A pior situação é do Telefônica Azul. Os espanhóis, que começaram a etapa como vice-líderes da classificação geral mas já perderam o segundo lugar para o norte-americano Puma, sofreram uma quebra no meio da regata, que danificou o mastro, e estão atrás da flotilha.

Segundo os dados da organização, que leva em conta o rendimento dos veleiros e a previsão climática, o barco ainda levará mais de cinco dias para chegar ao Rio. Isso quer dizer que o Telefonica deve velejar três dias a mais do que o máximo esperado originalmente.

No Puma, que persegue os dois barcos do time Ericsson que lideram a flotilha, o gás usado para cozinhar termina nesta terça-feira. "Não temos mais comida para cozinhar, então esse não é um problema. Agora, vamos ter de nos contentar com cereais. Mas isso só será um problema se chegarmos depois do dia 25", escreveu o comandante do barco, Ken Read, ao UOL Esporte, no domingo - segundo a previsão da organização, porém, o Puma chega ao Rio apenas no dia 26.

Em uma regata como a Volvo, os velejadores passam todo o período no mar a base de comida desidratada, como a usada por astronautas. A alta tecnologia empregada, porém, tira completamente a consistência e o gosto dos alimentos. Para prepará-las, os velejadores despejam água quente dentro de pacotes e esperam que o pó vire comida. Após esse processo, os alimentos viram massas disformes, que pouco lembram macarrão à bolonhesa ou chili com carne, dois pratos que fazem sucesso entre os velejadores. "Se a comida desidratada é ruim desde a primeira porção, imagina depois da 120ª?", reclama o comandante do Puma, Ken Read.
VELEJADORES VIVEM DE PAPA
No Ericsson 4, comandado pelo bicampeão olímpico brasileiro Torben Grael, que lidera a classificação geral, mas é segundo na etapa, o racionamento começou há alguns dias. "Já tínhamos passado a dividir as porções normais há algumas semanas, economizando comida para este momento", explica o velejador britânico Guy Salter.

Torben Grael, porém, conta que seus companheiros estão economizando bem mais do que isso. "Tudo é meio racionado a bordo: diesel, comida, até papel higiênico. Sorte que, ao que parece, temos bastante lencinhos de neném", conta o brasileiro, lembrando dos lenços umedecidos que os velejadores levam para "tomar banho" durante as etapas.

A quinta etapa largou no dia 14 de fevereiro de Qingdao, na China. No total, os velejadores vão percorrer 12.300 milhas náuticas, mais de 18 mil quilômetros. A Volvo Ocean Race começou em outubro de 2008, em Alicante, na Espanha, e termina em julho, em São Petersburgo, na Rússia.

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