O brasileiro Marcelo Ferreira, dono de três medalhas olímpicas, está de volta à Volvo Ocean Race. Tripulante do Brasil 1, que foi o terceiro colocado na última edição, ele aceitou o convite do espanhol Chuny Bermudez, comandante do Delta Lloyd, e vai velejar na regata local do dia 4 de abril.
| EM LADOS OPOSTOS NA VOLVO |
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 Marcelo, em foto de Atenas-2004, disputara a Volvo como tripulante do Delta Lloyd |
 Torben (ao centro) tem a responsabilidade de comandar o Ericsson 4, sem Marcelo |
Depois, as chances são grandes de que o carioca aceite outro convite e veleje até o final da regata de volta ao mundo ao lado do espanhol - e longe de Torben Grael, com quem conquistou o bicampeonato olímpico e o pódio da última Volvo, que agora comanda o Ericsson 4.
"O convite do Chuny é interessante. Aceitei disputar a in-port race (regata local) e devo aceitar também o convite para o final da competição. Mas só iria me juntar ao time em Boston. De lá até a Rússia, onde termina a Volvo, será rapidinho", conta o velejador.
Bermudez, outro veterano do Brasil 1, é o responsável pelo "primo pobre" da Volvo 2008/2009. Ele assumiu a equipe na Cidade do Cabo, na África do Sul. Desde então, fez mudanças drásticas na tripulação. O primeiro que convocou foi o catarinense André Fonseca, três Olimpíadas no currículo.
"Quando cheguei, os tripulantes eram amadores em sua maioria e o patrocinador queria mudar o objetivo da equipe. Para competir contra times maiores, precisávamos de mais velejadores experientes. E é normal chamar as pessoas com quem já velejou. Os brasileiros são excelentes e poderiam estar em qualquer uma das equipes", elogia Bermudez.
Ferreira não veleja na classe Star desde 2007 - seu último resultado computado no ranking mundial da Isaf (Federação Internacional de Vela), por exemplo, é o quarto lugar no Campeonato Europeu de setembro de 2007. No período, ele passou para a investir no ramo da construção.
"A última Volvo foi muito boa, mas foi difícil para a família. Então, desde o início, quando o Torben assumiu o Ericsson, eu sabia que não iria disputar a regata inteira. Mas agora será só dos Estados Unidos até a Rússia. É um trecho menor, será bom para todos", explica o veterano de 43 anos.
Os desafios, porém, serão grandes. O Delta Lloyd é o único barco que está disputando a Volvo Ocean Race 2008/2009 que também disputou a edição 2005/2006 - o barco foi o campeão há três anos, como ABN Amro 1. Os outros concorrentes são veleiros novos, evoluções em relação aos antecessores. Mesmo assim, o clima de otimismo na equipe é grande.
"É um barco velinho, mas que ainda tem muita velocidade. Recebemos velas novas, mastro novo e, com isso, a performance vai melhorar bastante. Não vamos andar no mesmo ritmo dos líderes, mas estaremos tão perto quanto o Brasil 1 estava do ABN 1 há três anos", analisa André Fonseca, o Bochecha, que está confirmado na tripulação até o final da volta ao mundo, em junho, na Rússia.