UOL Esporte Vela
 
25/03/2009 - 12h40

Barcos do time de Grael "desaparecem" para chegar em 1º ao Rio

Bruno Doro
No Rio de Janeiro*
Os dois líderes da quinta etapa da regata de volta ao mundo Volvo Ocean Race, incluindo o barco comandado pelo brasileiro Torben Grael, usaram uma novidade no regulamento da prova para tentar surpreender na luta para ser o primeiro barco no Rio de Janeiro. Nesta quarta-feira, os dois barcos do time Ericsson acionaram o "Stealth Play" e desapareceram dos boletins de posicionamento.

SIGNORINI: SER O PRIMEIRO BARCO
NO RIO NÃO É TÃO IMPORTANTE
Volvo Ocean Race/Divulgação
Por telefone, o brasileiro Joca Signorini, segundo colocado na etapa como timoneiro do Ericsson 4, comentou a quinta etapa:

Vocês estão próximos do final, mas ainda assim o tempo de chegada é incerto. Como a tripulação se comporta no final de uma perna tão longa?
Signorini: Sempre soubemos que era uma perna em que prever o tempo da chegada seria muito difícil. Agora, é mais a ansiedade de estar chegando em casa, principalmente de nós, brasileiros (ele navega ao lado de Torben Grael e Horacio Carabelli). Estamos há muito tempo longe e contando as horas para chegar.

Chegar em segundo lugar em casa seria um resultado ruim?
Signorini:
Pelo contrário, o segundo lugar é um ótimo resultado. Considerando os portões de pontuação (o time foi o primeiro em um deles e segundo no outro), em que estivemos sempre à frente de nossos rivais mais próximos na classificação geral (Puma e Telefônica Azul), estamos em ótima posição. É claro que vamos seguir lutando pelo primeiro lugar até o fim, mas hoje a prioridade é chegar na frente dos rivais, não na perna.
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Essa opção de "sumir" dos relatórios foi adotada para a edição 2008/2009 da regata. Quando um barco optar, ele pode ficar por 24 horas sem que sua posição seja relatada aos demais participantes. Essa manobra é usada para, por exemplo, aproveitar uma mudança de estratégia.

O primeiro a adotar a ação foi o Ericsson 3, que sumiu dos relatórios às 7h. Quatro horas depois foi a vez do Ericsson 4, de Torben. A decisão deve ter sido tomada para que as manobras usadas para se aproximar do Rio de Janeiro não sejam copiadas, ou evitadas, pelos concorrentes. Segundo dados da organização, o primeiro barco deve chegar ao Rio de Janeiro na madrugada de quarta para quinta-feira.

Nos últimos dias, todos os barcos da Volvo estão enfrentando zona de ventos inconstantes - a vantagem do líder, o Ericsson 3, por exemplo, já foi de mais de 200 milhas, chegou a diminuir para menos de 80 e nesta quarta-feira tinha voltados aos três dígitos antes do "Stealth Play".

Antes de optar por seu próprio desaparecimento, Joca Signorini tinha comentado a decisão do E3. "Acho que isso desperta um pouco mais a nossa curiosidade. Estamos acostumados a ver onde estão e como estão velejando os outros barcos de três em três horas. E quando não dá para fazer isso, você sempre se pergunta o que será que está acontecendo. Mas não mudaremos a nossa tática por causa disso", afirmou o timoneiro do time de Torben Grael, que uma hora depois da declaração também adotaria a tática.

No último boletim de posicionamento que os dois barcos do time Ericsson aparecem, o E3, formado por velejadores nórdicos, era o líder, com mais de 100 milhas náuticas (cerca de 150 km) de vantagem para o segundo colocado, o E4, de Grael, a 254 milhas náuticas (cerca de 380 km) da linha de chegada. O Puma, em terceiro lugar, está 86 milhas atrás. O Green Dragon (459 milhas) é o quarto e o Telefônica Azul (623 milhas), o quinto.

O Ericsson 3 é o grande destaque da quinta perna da Volvo Ocean Race. O barco, que ainda não tinha navegado à frente de seu "irmão" E4, aproveitou uma ousada decisão no meio da perna para pular na liderança. Ao passar pelo primeiro portão de pontuação da etapa, no paralelo 36 Sul, o navegador Axsel Magdahl resolveu ignorar a máxima "sul é sempre melhor" e fez seu barco dar meia volta e navegar para o norte.

A decisão chegou a ser questionada pelos outros competidores, mas dias depois, todos imitaram o E3. No próximo portão de pontuação, já no Cabo Horn, o extremo sul das Américas, os nórdicos já eram os líderes da etapa e favoritos para a vitória no Rio de Janeiro.

*Atualizado às 14h10

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