UOL Esporte Vela
 
25/03/2009 - 19h58

Após 40 dias navegando, stress já atinge velejadores na Volvo

Bruno Doro
No Rio de Janeio
MARATONA NA VOLVO OCEAN RACE
Crédito
Entre Qingdao, na China, e o Rio foram quase 20 mil quilômetros percorridos
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Barcos enfrentaram problemas, mas perna ntre China e Brasil teve poucas avarias
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Na Volvo, os velejadores jamais haviam percorrerido série de distâncias tão longas
MARCELO FERREIRA VOLTA À VOLVO
TORBEN 'SOME' PELA LIDERANÇA
Nunca antes na história da Volvo Ocean Race os velejadores percorreram distâncias tão longas. Entre Qingdao, na China, e o Rio de Janeiro foram quase 20 mil quilômetros navegados em, pelo menos para os líderes, 40 dias. Tanto tempo confinado em um barco, somado ao esforço para tocar, em dez pessoas, um veleiro que exigiria muito mais tripulantes, faz o nível de stress nas equipes se tornar quase insuportável.

"O impacto disso é brutal, seja mentalmente ou fisicamente. Eu nunca tinha ficado tanto tempo dentro de um barco, ninguém na tripulação, exceto o Capey (o navegador Andrew Cape), tinha. E o problema é que não dá para se poupar. Você tem de competir como se fosse uma regata de um dia. Se entra pensando em poupar energia, em segundos você está atrás demais para pensar em se recuperar", conta o comandante do Puma, Ken Read, com exclusividade ao UOL Esporte.

O custo da intensidade com que os velejadores se dedicam, porém, é alto. "Eu aprendi que posso velejar com essa intensidade por tanto tempo. Mas estou dolorido, tão dolorido quanto se tivesse jogado hóquei no gelo por uma semana inteira. E nervoso pela pressão de ter de fazer tudo certo, de garantir que estamos na melhor rota possível e, acima de tudo, pressão por manter todos seguros. Isso te desgasta muito com o tempo", continua Read.

Por toda a flotilha, exemplos de como o tempo e o esforço dentro do barco estão pesando para os velejadores pode ser visto. No líder Ericsson 3, por exemplo, o comandante Magnus Olsson lista a maneira como seus tripulantes estão lidando com o stress. "Eu, por exemplo, falo, falo, falo, falo. Sobre qualquer coisa. Poderia falar horas e horas sobre o número de esquilos que existe na Suécia, por exemplo. Mas não sou o pior. Temos um tripulante que come tudo o que pode e o que não pode. E outro que limpa tudo. Ele começa limpando em uma ponta do barco, chega ao final para recomeçar de novo", diz o veterano de seis passagens pelo Cabo Horn.

Na última Volvo Ocean Race, a classe de barcos VO70 foi usada pela primeira vez. Com barcos novos e nunca testados, o que se viu foi uma série de quebras - um dos barcos, inclusive, naufragou. Três anos depois, os veleiros continuam com problemas. Segundo os competidores, porém, a questão não é mais a resistência do barco.

"Esses barcos não são frágeis, longe disso. A questão é que a potência desses barcos é tão grande que não é necessário saber como extrair o máximo de potencia do veleiro, mas saber como poupar o equipamento. Qualquer um pode quebrar um veleiro desses facilmente. O difícil é mantê-lo inteiro", diz o comandante do Puma.
SEGREDO É CONTROLAR FORÇA
Os barcos, pelo menos, estão agüentando bem. Depois da quarta etapa, em que todos os veleiros tiveram graves problemas, na perna entre China e Brasil o número de avarias é menor. O Telefônica Azul, que sofreu com a quilha e, depois, com seu mastro, é o único que reportou danos graves.

Segundo Read, o problema não foi a fragilidade dos barcos, mas a dureza da perna. "A quarta etapa foi brutal. É muito difícil construir um barco adequado para a condição que encontramos ali, com mais de mil milhas náuticas velejando contra o vento. Ninguém faz um barco para isso e, se fizesse, ele nunca seria competitivo. Esses barcos são pelo menos duas vezes mais resistentes que na regata passada. Prova disso é que estão agüentando a etapa mais longa da história", completa Read.

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