Ainda não foi desta vez que Torben Grael foi o primeiro a chegar no Brasil em uma etapa da Volvo Ocean Race. Na manhã desta quinta-feira, o barco sueco Ericsson 3, da mesma equipe do brasileiro, cruzou a linha de chegada na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, em primeiro lugar.
| OLSSON: "AO SAÍRMOS DA CHINA, NÃO PARECÍAMOS VENCEDORES" |
|---|
 Comandante do Ericsson 3, Magnus Olsson é o mais velho desta edição da volta ao mundo. Após chegar ao Rio de Janeiro e bater os favoritos do E4, ele admitiu que a surpresa pelo resultado foi grande.
Quando vocês saíram de Qingdao oito horas atrás dos outros, sem tempo de descansar, imaginava que seria possível chegar ao Rio em primeiro lugar? Olsson: Acho que naquele dia ninguém falaria que tínhamos cara de vencedores. Saímos da China cansados, o barco estava cheio de pó de carbono (usado no reparo do casco do veleiro), oito horas depois dos outros, com velejadores novos. Mas conseguimos virar o jogo.
O momento da virada veio após o portão de pontuação. Foi uma decisão difícil? Olsson: Aksel (Magdahl, o navegador) disse que, para aproveitar, teríamos de velejar bem. Precisaríamos de uma performance de 100 % por todo o tempo, ou chegaríamos muito tarde na zona de alta pressão (em que os ventos são fortes). Mas todos eram a favor dessa decisão. Foi fácil.
Depois disso, foi só aproveitar a vantagem que voces construíram? Olsson: Na verdade, em muitos momentos, nós ficamos no limite de destruir o barco, mas conseguimos mantê-lo inteiro. Acho que essa foi a chave do nosso sucesso. Nós estamos muito cansado, mas estou orgulhoso da tripulação, que mostrou espírito de luta até o final. |
VEJA FOTOS DA CHEGADA AO RIO |
STRESS É PROBLEMA APÓS 40 DIAS |
LEIA MAIS NOTÍCIAS SOBRE VELA |
A vitória consagra uma das maiores reviravoltas da história da Volvo. Na quarta etapa, o Ericsson 3, comandado pelo sueco Magnus Olson, quase afundou. O veleiro sofreu um sério dano estrutural quando velejava em direção a Qingdao, na China. O barco teve de trocar um pedaço de seu casco, furado. O veleiro só terminou a quarta etapa horas antes da largada da China para o Brasil - os nórdicos saíram oito horas e meia depois dos concorrentes de Qingdao.
A vitória da tripulação, formada por velejadores nórdicos, veio, em grande parte, pela ousadia de seu navegador, Aksel Magdahl, e de seu comandante, o veterano Olson. Quando os barcos cruzaram o primeiro portão de pontuação da etapa, no paralelo 36 Sul, a maioria dos competidores seguiu rumo ao sul.
Olson e Magdahl optaram em voltar um pouco, velejaram para o norte e evitaram uma grande zona sem ventos no meio do Pacífico. Com isso, velejaram por alguns dias com mais velocidade do que os rivais, que logo os copiaram. A manobra deu tão certo que, no segundo portão de pontuação da etapa, no Cabo Horn, o Ericsson 3 já liderava, com boa vantagem sobre os demais veleiros.
"Nós merecemos. Adotamos uma estratégia fantástica quando precisávamos de uma. Aksel fez um grande trabalho. Agora estamos muito cansados, mas orgulhosos por ter mantido o espírito de luta até o final. Estivemos no limite de destruir o barco, mas conseguimos mantê-lo em um pedaço só", comemorou Olson, de 60 anos, o mais velho dessa edição da regata de volta ao mundo.
A aproximação ao Rio de Janeiro, porém, foi dolorosa para os nórdicos. A vantagem, que chegou a ser de mais de 200 milhas náuticas (cerca de 300 km), foi diminuindo enquanto os veleiros rumavam ao norte, pela costa brasileira. Na última semana de viagem, chegou a menos de 70 milhas para o Ericsson 4, de Torben Grael.
No último dia, apesar da liderança ter voltado aos três dígitos, os nórdicos resolveram usar um artifício: o "Stealth Play", em que o veleiro fica por 24 horas sem ter seu posicionamento e seus dados meteorológicos e de performance reportados aos seus concorrentes. "Estamos escondidos. Não somos mais como bóias meteorológicas avançadas para os nossos rivais", explicou Magdahl, antes de chegar ao Rio.
O Ericsson 4, comandado pelo brasileiro, se aproxima da chegada em segundo lugar, lutando pela posição com o barco norte-americano Puma. Os dois barcos devem terminar a quinta etapa na tarde desta quinta. Os outros dois veleiros que estão velejando em direção ao Rio são o Green Dragon e o Telefônica Azul, que devem chegar ao Rio apenas no sábado.
A quinta etapa foi a mais longa da história da Volvo Ocen Race, com mais de 12.300 milhas náuticas (mais de 18 mil km). O Ericsson 3 completou a perna em 40 dias, às 7h45 desta quinta-feira. A etapa demorou cinco dias a mais do que o previsto e os barcos que ainda não chegaram já fazem racionamento de comida para agüentar o período imprevisto no mar.
Com o resultado, o Ericsson 3 chegou aos 43,5 pontos e segue em quarto lugar. Líder na soma de pontos, o veleiro Ericsson 4, comandado pelo brasileiro Torben Grael vai somar, se confirmar a segunda posição, sete pontos aos 56,5 já obtidos. Assim, amplia a vantagem na liderança da classificação. Atrás, estão os barcos Puma e Telefonica Azul. O Puma está em terceiro nesta etapa, e o Telefônica, em quinto.
Após a chegada no Rio de Janeiro, os competidores se preparam para a regata local, no dia 4, que vale pontos para a classificação geral. Depois, no dia 11 de abril, começa a sexta etapa, que sai do Brasil e vai até Boston, nos Estados Unidos. A Volvo Ocean Race, que largou em outubro do ano passado em Alicante, na Espanha, termina em junho deste ano em São Petersburgo, na Rússia.
Atualizado às 10h27