Marcelo Ferreira e Bruno Prada estão acostumados ao segundo plano. Proeiros, eles não contam com o mesmo brilho destinado a seus parceiros, Torben Grael e Robert Scheidt. A posição secundária, porém, não significa prestígio menor. Em 2009, os dois estão mostrando que é possível construir a carreira longe de seus timoneios.
Prada, por exemplo, é amigo de infância de Scheidt e, desde 2005, veleja exclusivamente na classe Star. A parceria já rendeu aos dois, juntos, um título mundial, em 2007, e uma medalha olímpica, a prata de Pequim-2008. Em 2009, Scheidt está se dedicando ao time Luna Rossa, da America's Cup. E Prada segue velejando na Star, com o mesmo sucesso.
Em fevereiro, por exemplo, Prada foi vice-campeão da Bacardi Cup, um dos eventos mais importantes do calendário da classe Star, com o norte-americano Mark Mendelblat - que, coincidentemente, veleja com Scheidt no Luna Rossa. Antes, já tinha sido o quinto colocado na Miami Regata, com outro norte-americano, Augie Diaz.
"É importante continuar em ritmo de regata, velejando contra a elite. Para um proeiro, isso é muito importante. Nós (ele e Scheidt) só voltamos a velejar juntos em maio", conta o velejador. "É bom que os resultados apareçam. Já estou até brincando. O Mark e o Augie velejaram comigo, conseguiram bons resultados e, quando tiveram de correr com outros proeiros, não foram tão bem. Estou subindo meu preço", brinca Prada.
O caso é bem parecido com o de Marcelo Ferreira. Bicampeão olímpico, como Grael, ele tem um título mundial a mais do que parceiro, conquistado em 1997, ao lado de Alexandre Hagen. Neste ano, após uma pausa na vela, ele disputou a regata de porto do Rio de Janeiro da Volvo Ocean Race, há duas semanas, ficando, inclusive, à frente de Grael - Ferreira foi tripulante do Delta Lloyde e Grael comandou o Ericsson 4. "Mas eu já estou acostumado a chegar na frente dele. Velejo sempre na proa", brincou Ferreira logo depois da regata.
Agora, ele está na Europa, ao lado de novo parceiro. Entre 1 a 9 de agosto, ele corre o Mundial da Suécia, na cidade de Varberg, ao lado do italiano Alberto Boravier. Com Torben, só no Mundial de 2010, que será no Rio.
Os dois costumam receber diversos convites. Ferreira, por exemplo, pode disputar o fim da regata de volta ao mundo, entre EUA e Rússia, no Delta Lloyd. Prada também foi sondado para projetos de Oceano, mas preferiu adiar os planos.
"Eu recebo muitos convites hoje. E aumentaram muito depois do título mundial e da medalha olímpica. Na pior das hipóteses, me chamam por curiosidade, para ver se sou mesmo tudo isso", conta o paulista. "Mas eu não consigo conciliar tudo, família, trabalho. Eu teria de optar, assim como fez o Torben (que não tentou vaga nas Olimpíadas de 2008 por causa da volta ao mundo). Não dá para abraçar o mundo".