Naufrágio, quebras e até explosões. A sorte da equipe espanhola na Volvo Ocean Race não é das melhores e, pelo menos até agora, não parece ter melhorado. Na largada da nona etapa, entre as cidades de Marstrand e Estocolmo, na Suécia, o barco Telefônica Azul, que velejava em primeiro lugar, encontrou uma pedra no meio do caminho.
O impacto foi forte e o veleiro sofreu sérios danos estruturais, no casco e na quilha. Foi a segunda vez que o barco se chocou contra pedras na atual edição da regata de volta ao mundo. Na China, quando velejava para a linha de largada da etapa entre Qingdao e o Rio de Janeiro, o time também sofreu uma colisão e teve de voltar para terra, para reparos.
Desta vez, porém, os danos foram mais sérios. O barco se chocou diretamente contra a pedra e uma das bolinas (peça móvel, nos VO70, que serve para evitar movimento lateral) do veleiro quebrou, abrindo um buraco no casco. Além disso, a quilha (uma haste horizontal com um bulbo em formato de míssil na ponta, que carrega a maior parte do peso do barco e serve para manter o equilíbrio) ficou presa à pedra por quase duas horas e também ficou bastante danificada.
Apesar dos problemas, o barco voltou à competição nesta quarta-feira para os dois últimos eventos da edição 2008/2009 da Volvo: a regata local de Estocolmo, na Suécia, no próximo domingo, e a perna até São Petersburgo, na Rússia, que começa na quinta-feira. A equipe espanhola levou dois dias e meio para completar os reparos.
"Nosso objetivo é chegar para o domingo. É um desafio bem grande, mas trabalhamos para voltar a velejar na quinta-feira de manhã e chegar à Suécia no sábado pela manhã, talvez até antes disso", afirmou o capitão do barco, o holandês Bouwe Bekking, antes de retornar à competição.
Os problemas do time espanhol, porém, não foram apenas com as pedras. Durante a parada em Galway, na Irlanda, um dos contêineres da equipe, que tem dois barcos na competição (o outro é o Telefônica Negro) explodiu. O acidente destruiu parte dos equipamentos eletrônicos dos dois barcos do time, incluindo equipamentos de radar.
Antes disso, o outro barco do time, o Negro, já tinha tido seus contratempos. O maior deles aconteceu na perna entre Singapura e Qingdao, na China. A tripulação espanhola comandada pelo campeão olímpico Fernando Echavarri teve o casco de seu veleiro rachado e o barco foi mandado, em cima de um navio, diretamente para o Rio de Janeiro, sem completar a quarta perna (Singapura-Índia) e nem largar para a quinta (China-Brasil).
A má sorte dos espanhóis, porém, começou há muito mais tempo. O time formado por Pedro Campos e comandado por Bouwe Bekking é um dos remanescentes da última corrida. Na Volvo 2005/2006, o Movistar também não conseguiu se afastar dos problemas.
Na primeira perna, o time abandonou, com danos estruturais, e foi de navio até a África do Sul. Depois, perto do Cabo Horn, o extremo sul do continente americano, o time voltou a sofrer problemas, quase naufragou e teve de ser reparado na Argentina.
O mais grave aconteceu meses depois. Durante a travessia do Atlântico, os problemas estruturais do veleiro voltaram e o barco naufragou. Os ocupantes foram salvos por outro barco que estava competindo.
*Atualizada às 18h08