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18/06/2009 - 14h43

Estratégia que valeu título a Torben Grael deve ser proibida na próxima Volvo

Bruno Doro
Em Estocolmo (Suécia)
O grande trunfo usado por Torben Grael e sua equipe para conquistar a Volvo Ocean Race pode ser proibido para a nova edição da regata, programada para 2011. Para cortar custos, e atrair mais barcos para a volta ao mundo, a organização deve limitar o número de veleiros que um mesmo time possui.

"NÃO TIVEMOS PROBLEMAS, AO CONTRÁRIO DE TODOS OS OUTROS"
AFP
O brasileiro Horacio Carabelli foi um dos responsáveis pela construção do Brasil 1, há cinco anos, e acompanhou a finalização do Ericsson 4. Engenheiro náutico, além de velejador campeão da Volvo, ele explica que a grande diferença entre os veleiros nesta volta ao mundo foi justamente a confiabilidade do barco de quarta geração.

"O Ericsson 4 não teve nenhum problema de verdade. Quebramos algumas coisas, mas foram apenas quebras normais, nada que pudesse nos tirar de uma etapa. Os outros barcos não. Tiveram danos sérios. Isso mostra como esse barco foi bem feito", explica o velejador.

"Com isso, o Torben tinha a confiança no barco e podia tirar o máximo nas condições mais extremas. Algo que os outros não puderam fazer", completa. O Ericsson 4 foi projetado pelo designer argentino Juam Kouyoumdjian, o mesmo que desenhou o vencedor da regata passada, o ABN 1.
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E foi justamente o teste com vários barcos que garantiu ao brasileiro o bom rendimento nesta edição da regata, que termina no próximo mês em São Petersburgo, na Rússia. O Ericsson já possuía um barco da classe VO 70, usada na Volvo 2005/2006, e comprou outro, o campeão dessa mesma edição. Com os dois veleiros, a equipe sueca fez testes e construiu um terceiro barco, aprimorado com as impressões iniciais.

Após novos testes com o barco de terceira geração, foi construído um quarto veleiro, ainda mais melhorado do que o anterior. E foi justamente esse, o Ericsson 4, que Grael comandou para dar a volta ao mundo.

Para 2011, a Volvo quer que cada time tenha no máximo duas embarcações - e apenas uma pode entrar na competição. A primeira delas, porém, deve ser de geração anterior, usada para testes, e só um novo barco pode ser construído. Nesta edição da Volvo, dois times construíram dois veleiros, o Ericsson e os espanhóis do time Telefônica.

O maior objetivo da mudança de regras é limitar os custos com campanhas e nivelar os times com maior e menor poder econômico. Essa mudança, porém, não agrada a todos. Richard Brisius, diretor geral do Ericsson Racing Team, por exemplo, acha que a medida precisa ser muito bem discutida.

"A grande chave do sucesso do nosso time foi o tempo de testes que tivemos. E não digo isso pelo resultado, mas pelo fato de não termos tido problemas durante a regata. Com mais testes, você constrói barcos mais seguros. Se eles limitarem os testes, eu vou pensar duas vezes antes de voltar a essa competição, porque a partir daí a segurança não será a mesma", explica.

As preocupações de Brisius tem origem na regata passada, a primeira em que barcos da classe VO 70 foram usados. Os novos veleiros representaram uma revolução na competição, introduzindo uma série de conceitos inovadores à volta ao mundo e aumentando muito a velocidade dos barcos. Na primeira competição com eles, porém, os barcos sofreram com problemas atrás de problemas

Na primeira etapa da edição 2005/2006 da prova, por exemplo, dois barcos tiveram de ser transportados da Europa até a África do Sul de navio ou avião. Além disso, o veleiro espanhol, após uma série de avarias, naufragou no Oceano Atlântico - sem contar a morte de um velejador do time holandês na mesma etapa, que não teve relação direta com a fragilidade dos veleiros.

Além disso, outras mudanças propostas, também para cortar custos, são a diminuição em 40 % do número de velas que cada barco pode ter e limitação no peso da quilha - com isso, os times poderão se concentrar em estruturas reforçadas, não em poupar peso, como é feito atualmente.

"Nosso objetivo número 1 é aumentar o número de equipes participantes na competição, já que a Volvo tem muito a crescer. E o caminho é diminuir o custo das campanhas. Mas sabemos que o período de testes é muito importante e respeitamos que quem começa antes, tem vantagem maior em relação aos demais", afirma Knut Frostad, chefe da organização da regata.

As mudanças estão sendo discutidas entre os times que estão disputando a edição atual da Volvo Ocean Race e interessados em disputar a próxima regata de volta ao mundo. Até agora, já foram feitas três reuniões, no Brasil, nos Estados Unidos e na Irlanda. A próxima será na segunda-feira, em Estocolmo.

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