UOL Esporte Vela
 
19/06/2009 - 09h31

Olimpíadas ficam cada vez mais longe de Torben Grael, maior medalhista do país

Bruno Doro
Em Estocolmo (Suécia)
"Eu não acredito que o Torben volte a fazer uma campanha olímpica". A frase, que mostra o afastamento do maior medalhista brasileiro das Olimpíadas, vem de alguém que conhece muito bem o assunto e o velejador em questão.

O QUE O FUTURO RESERVA?
Divulgação
Marcelo Ferreira, grande parceiro de Torben. não acredita em nova campenha olímpica
AFP
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Para Marcelo Ferreira, parceiro há mais de 20 anos de Grael, o nível a que Grael foi erguido, principalmente após o título da Volvo Ocean Race, nesta semana, tornam uma campanha olímpica, e todos os seus desafios, um sonho distante.

Grael, de 48 anos, não descarta oficialmente a possibilidade. Mas quem o conhece garante que é uma possibilidade remota. "Ele tem propostas incríveis e, para voltar a fazer campanha olímpica, teria de bancar do próprio bolso. Não pelo dinheiro, mas pelo que isso representa, eu acho muito difícil. A única opção seria encontrar alguém que bancasse a campanha inteira. E nunca apareceu um apoio assim até agora, porque iria chegar agora?", questiona Ferreira.

O próprio Torben toma cuidado ao falar do futuro. "Qualquer coisa que eu vá fazer agora precisa ser analisada com muita calma. Eu não descarto fazer uma nova campanha olímpica, mas precisaria ser algo muito bem pensado", diz o velejador.

Essa decisão, porém, não afastaria o veterano da classe Star, na qual ele conquistou quatro das duas cinco medalhas olímpicas - incluindo as duas de ouro. Ele é a grande estrela do Mundial de Star do Rio de Janeiro, em janeiro de 2010, e ainda deve disputar o Mundial da Suécia, ainda neste ano.

"A classe Star, no Brasil, é muito divertida. Muita gente é competitiva, tenho muitos amigos que velejam e eu sinto falta de tudo isso. Estou terminando um novo barco, para o Mundial do Rio e nunca vou ficar completamente fora da classe. Mas campanha olímpica é um assunto diferente", explica Grael.

Outros velejadores barasileiros, atualmente, estão na mesma situação. Joca Signorini, timoneiro campeão com o Ericsson 4, teria ido às Olimpíadas de Pequim, no ano passado, na classe Finn, se não tivesse aceitado a proposta de Grael para a Volvo.

"Campanha olímpica não se faz pelo dinheiro, mas você precisa ter uma boa estrutura por trás. Eu já fiz uma campanha assim, muito bem organizada (foi o 10º colocado na Finn em Atenas-2004). Para fazer de novo, precisaria ter uma estrutura melhor", diz Joca.

A opinião é a mesma de André Fonseca, três Olimpíadas no currículo, duas delas terminando entre os 10 primeiros colocados. "Conquistar uma medalha olímpica ainda é um sonho, mas você vai ficando mais velho e suas prioridades vão mudando. Você começa a pensar em ganhar dinheiro, ter sua casa. E na vela olímpica você não ganha dinheiro", afirma o velejador catarinense de 30 anos.

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