UOL Esporte Vela
 
25/06/2009 - 14h00

Volvo parte para a Rússia e famílias dos velejadores completam a sua volta ao mundo

Bruno Doro
Em Estocolmo (Suécia)
EMOÇÃO EM LARGADAS E CHEGADAS
Crédito
Torben Grael abraça a esposa Andrea, que também está fechando sua volta ao mundo
Crédito
Crianças, como a filha do francês Gavinet, são presenças constantes durante paradas
Volvo Ocean Race/Divulgação
Nesta quinta-feira, os veleiros largaram para a última etapa da Volvo, a mais curta de competição. O melhor na saída da Suécia foi o norte-americano Puma, que garantiu, ao largar, o vice-campeonato. O campeão é o Ericsson 4, do brasileiro Torben Grael
FOTOS DA VOLVO OCEAN RACE
PUMA DEIXA SUÉCIA EM PRIMEIRO
Nesta quinta-feira, os veleiros da Volvo Ocean Race deixaram a cidade de Estocolmo, na Suécia, em direção a São Petersburgo, na Rússia. Enquanto os velejadores disputam a última etapa da regata, seus familiares também se preparam para fechar a sua própria volta ao mundo.

Com uma competição tão longa, com paradas em dez países, é normal que, no período da prova, as famílias deixem de ter endereço fixo e sigam pelos portos do planeta. Campeão da Volvo no Ericsson 4, ao lado de Torben, Horacio Carabelli diz que as viagens da mulher e dos filhos é indispensável para agüentar as dificuldades da competição.

"Ficar longe da família é a parte mais difícil disso aqui. É o que mais a gente sente falta. Meus filhos, por exemplo, crescem e eu não vejo. Por isso é importante que, a cada oportunidade que você tiver para levar sua família para cada uma das paradas, você o faça", afirma o velejador, na companhia da mulher, Dione, e de dois dos três filhos.

Com Andréa Grael, mulher do comandante do E4, Torben, o caso é o mesmo. Ela não chora como fazia na regata passada, quando o bicampeão olímpico disputava a regata pela primeira vez. Mas não consegue esquecer dos perigos que o mar pode esconder.

"Eu sempre fico preocupada com o que pode acontecer. Tem muito contêiner boiando por aí", diz a carioca, lembrando que um encontro com um desses objetos flutuantes pode afundar um veleiro como o comandado pelo marido.

Na Suécia, ela estava ao lado da filha mais nova, Martine. Marco, o mais velho, ficou no Brasil. "É claro que a gente sofre bastante. Mas é o que ele (Torben) ama fazer e nós apoiamos sempre. O que eu lamento são os filhos, que nem sempre podem estar próximos. Quando estou só eu e o Torben em um lugar e saímos para conhecer a cidade, fico sempre pensando em como seria bom se o Marco e a Martine estivessem com a gente", conta Andréa.

As viagens constantes, porém, acabam tornando a vida em casa um verdadeiro desafio. "Você até consegue criar um sistema para que as coisas fiquem em ordem. Paga contas pela internet, por exemplo. Mas com outros detalhes, você precisa estar lá, presente", fala.

Veterinária, ela já teve de mudar sua área de atuação algumas vezes por conta das constantes viagens com Torben, que tem no currículo duas voltas ao mundo e três campanhas de America`s Cup, que exigem que o velejador viva no país em que as regatas serão disputadas por meses.

"Eu costumava trabalhar com cavalos, animais de grande porte. Mas quando as viagens começaram, tive de mudar. Passei a atender cachorros e animais domésticos. Mas como não podia ter um consultório, atendia em casa. E isso foi criando uma série de problemas. Hoje, eu tive de parar mais uma vez. Quando voltarmos, vou ter de, novamente, procurar uma maneira de trabalhar".

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