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Horácio Carabelli: “Ganhar era obrigação. O segundo lugar seria um desastre”

Bruno Doro
Em Estocolmo (Suécia)

Aos 40 anos, Horacio Carabelli disputou as Olimpíadas de Seul-1988, desenhou e coordenou a construção de mais de 100 embarcações, foi tripulante do Brasil 1, o primeiro barco brasileiro a velejar a regata de volta ao mundo e ainda fez parte do Victory Challenge, o time sueco que disputou a America’s Cup, a mais importante competição de vela do mundo.

PERFIL: HORÁCIO CARABELLI
Volvo Ocean Race
Carabelli nasceu no em Montevideu, mas é brasileiro naturalizado. Foi às Olimpíadas de 1988, defendendo o Uruguai, mas desde então mora em Florianópolis. É um dos engenheiros náuticos mais respeitados no Brasil. Não iria velejar na Volvo 2005/2006, pelo Brasil 1, mas com os problemas do barco, acabou virando tripulante.
Classificação final: Campeão

"Essa competição exige muito das famílias. Eu tenho três filhos, eles estão crescendo eu não estou lá para acompanhar. Eles sofrem muito"

Mesmo assim, a pressão que encontrou como um dos tripulantes do Ericsson 4, campeão da Volvo Ocean Race 2008/2009, impressionou o uruguaio naturalizado brasileiro. “Existe uma cobrança por resultado muito grande. Ganhar as pernas e a regata era obrigação. Terminar em segundo lugar seria um desastre”, conta o velejador.

Um exemplo foi o que aconteceu na parada de Galway, na Irlanda, a última antes da chegada à Suécia, casa da equipe. Na regata local disputada por lá, o time chegou em quinto lugar. “Velejamos muito mal, terminamos em quinto lugar e, depois da regata, aconteceu uma reunião para cobrança de resultados. Só que nós éramos os líderes da competição, com 13 pontos de vantagem”, lembra.

Carabelli foi convidado para se juntar ao Ericsson ao lado de Joca Signorini. Veterano do Brasil 1, que terminou em terceiro lugar na edição 2005/2006, ele era, além de um velejador experiente, a garantia do bicampeão olímpico Torben Grael, comandante da tripulação, de que tudo o que pudesse ser consertado no mar, seria reparado. Exemplo disso aconteceu na quinta etapa, em que o Ericsson 4 sofreu com problemas hidráulicos.

Os reparos em alto mar, porém, não foram muito necessários. Ao contrário de seus rivais, o E4 teve poucos percalços durante a competição. “O tempo que passamos nos preparando acabou fazendo a diferença. Tínhamos muita confiança no barco. E o Torben tem uma aura muito especial. Parece que nada dá errado”, completa.

Segundo Carabelli, o tempo de preparação também serviu para ajudar a equipe em outra área: a convivência entre os velejadores. Como Torben Grael já tinha admitido, o Ericsson 4 sofreu com um choque de culturas, principalmente entre os brasileiros e os neozelandeses, as duas nações com mais representantes na equipe.

“São posturas diferentes e depois de um tempo, você vai se cansando um pouco. Mas como treinamos muito, sabíamos como seria a competição. E nós latinos somos mais flexíveis, temos mais jogo de cintura, fica mais fácil se adaptar”, completa o velejador.

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