A típica fala mansa do mineiro é apenas uma das características que o piloto Cristiano da Matta personifica. De mansinho, ele volta às pistas de corrida depois de quase dois anos de recuperação, quando "ficar sem fazer nada" foi a parte mais difícil. Em entrevista ao UOL Esporte, Da Matta conta que "sentia falta daquele outro tipo de atividade" que costumava desenvolver. Acompanhe a entrevista com esse mineiro que, mesmo devagar, fala bastante.
UOL Esporte: Você acha que o pedido médico para ir devagar é por causa do lado físico ou psicológico?Cristiano da Matta: Acho que é uma combinação dos dois. Eles disseram que eu poderia sentir uma tontura quando voltasse a guiar. Uma coisa que fiz questão de fazer é completar seqüências mais longas de voltas ao andar de kart e, até agora, não tive nem "meia coisa" me incomodando. Tudo está 100%. UOL Esporte: O que acha que mudou em você depois do acidente, tanto no físico como no psicológico?CM: Neste momento, agora com UOL Esporte: Você acha que ficará com medo quando for disputar uma corrida novamente? Ficou algum trauma do acidente?CM: Acho que não. Gosto muito de competir de bicicleta. No mountain bike, já venho fazendo isso desde agosto. Eles (médicos) me liberaram. O que mais senti foi a resistência física. De resto, não mudou nada. Querendo ou não, ficando um ano e meio parado, ficaram alguns pontos de interrogação, mas você quer provar para você mesmo que está tudo legal. Pelos testes de kart e de bicicleta que eu já fiz, acho que não mudou nada (no lado atleta). E, no dia-a-dia, não mudou absolutamente nada (no lado pessoal). O mais difícil foi o lado físico. Na bicicleta foi mais difícil, mas eu treinei bastante. Eu gosto muito de treinar. Com os amigos sempre tem nossas competições, um fica brincando com o outro, e meu lado de competidor sempre fala mais alto. UOL Esporte: Quanto tempo você acha que vai levar para pilotar com 100% de sua capacidade? |
Nome Completo: Cristiano Monteiro da Matta Data de Nascimento: 19 de setembro de 1973, em Belo Horizonte (MG) Categorias que disputou: Kart,
"Eu me sinto preparado. Já andei com todo os tipos de kart, até com os mais nervosos, e não tive problema"
Cristiano da Matta testava com sua equipe, a RuSport, no autódromo de Road America (EUA) no dia 3 de agosto de 2006, quando colidiu contra um cervo em alta velocidade. O brasileiro foi levado imediatamente ao hospital, onde foi detectado um hematoma subdural (sangramentos em torno do cérebro), que exigiu uma intervenção cirúrgica de emergência. |
UOL Esporte: Você recebeu mesmo a liberação médica para voltar a correr em qualquer categoria?Cristiano da Matta: Eu tive a resposta do médico em novembro de 2007, e ele me liberou para correr. Posso correr qualquer coisa que eu quiser. O médico só pediu para não sentar em um carro muito forte de cara, pediu para começar treinando de kart, depois passar para um carro mais rápido, um GT e, depois, um Fórmula. Já passei pelo kart e vou treinar de GT, lá em Miami, na pista de Homestead. Vou fazer esse treino por precaução. Na verdade, depois disso, estou liberado para guiar qualquer coisa que me der na cabeça. Estou fazendo assim, devagar, porque sigo à risca o que os médicos pediram. Estou fazendo por eles, mas, do meu ponto de vista, quando sentei no kart a 1ª vez, dei três voltas e pensei que já não tinha nenhum problema. Eu estava meio tenso ao sentar no kart. Como atleta, fiquei fora da bicicleta, e demorou muito - em relação à preparação física - para voltar ao nível que eu tinha antes. Em termos de desempenho, pensei que, se demorasse esse tanto em um carro, estaria perdido. Mas, no kart, tudo foi bem tranqüilo. UOL Esporte: Você se sente preparado para voltar a competir?CM: Já tenho o sinal verde para correr em 2008 e, agora, estou conversando com várias pessoas. Correr com o Gil de Ferran pode ser muito legal. Ele terá uma equipe na America Le Mans Series. Seria uma experiência ótima porque só andei em um carro assim uma vez, nas 24 Horas de Daytona. Se olharmos mais friamente o automobilismo, as categorias de Fórmula não estão lá essas coisas, estão em uma situação um pouco difícil. Então, seria legal ter a chance de correr com protótipos. Só que, querendo ou não, tenho experiência em Fórmula. Corro de Fórmula desde 1999 (Indy, Champ Car e F-1). Então, não descarto nenhuma delas. Na GT, terei de aprender tudo, mas isso também não será problema. |
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