UOL Esporte Velocidade
 
14/11/2008 - 07h35

Com 876 quedas, Mundial de motovelocidade bate recorde em 2008

Luiz Gabriel Ribeiro
Em São Paulo
O total de quedas na temporada 2008 do Mundial de motovelocidade, envolvendo as três categorias, assusta. Foram registrados 876 tombos durante o ano, número amplamente superior ao de 2005, que detinha o recorde, com 737. Os dados impressionantes mostram que a modalidade precisa buscar maneiras de dar mais estabilidade aos pilotos.

ACIDENTES IMPRESSIONARAM EM 08
EFE
Uma das quedas mais espetaculares foi protagonizada por Jorge Lorenzo na China
Lluis Gene/AFP
Lorenzo também caiu em Barcelona e precisou ser levado ao hospital em seguida
Andreas Beil/AP
Dani Pedrosa voa contra a barreira inflável após perder controle da moto na Alemanha
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Os números levantados pelo diário espanhol Marca resultam em uma média de 48 quedas por Grande Prêmio, e 16 tombos por categoria em cada um dos 18 finais de semana de competição. As contas lembram que, em Laguna Seca, somente a MotoGP foi disputada e que, em Indianápolis, a corrida de 250cc não pôde ser realizada.

Antônio Jorge Neto, um dos grandes destaques do motociclismo brasileiro entre os anos 70 e 80 e que acompanhou com atenção o Mundial deste ano, explica que o nível técnico dos pilotos é decisivo para o alto número de quedas. "O espaço é limitado, os pilotos são muito bons e a estabilidade na moto é pequena, por isso, as quedas", justifica.

A pista molhada que os pilotos enfrentaram na maioria dos GPs de 2008 também pode explicar as sucessivas quedas. O aumento da tecnologia e, conseqüentemente da velocidade dos motores, é outro fator apontado como causa dos acidentes.

Entretanto, a idéia de que a tecnologia avançada das máquinas pudesse evitar as quedas deixa de ser válida com os números registrados nas competições de motovelocidade desta temporada. Antônio Jorge, que agora compete na Stock Car, também refuta tal teoria.

"Na medida em que a tecnologia aumenta, os pilotos têm mais condições de buscar o limite. A moto como um todo melhora, mas quem está pilotando sempre quer andar mais rápido. Qualquer erro pode ser fatal nesse tipo de competição", explica o piloto, que teve como principal momento da carreira o título das 100 milhas de Daytona, em 1983.

O espanhol Jorge Lorenzo, por exemplo, teve um ano para se esquecer na MotoGP, categoria máxima da modalidade. O estreante começou a se "destacar" no quesito quedas no GP da China, circuito em que voou de sua moto e fraturou o tornozelo. Ele também caiu em Le Mans, Mugello, Barcelona e Sachsenring. Em Laguna Seca, nos Estados Unidos, sofreu fraturas no pé após um acidente na primeira volta.

Apesar dos números importantes, não houve nenhuma lesão mais grave nos competidores que se envolveram em acidentes nesta temporada. Até mesmo o multi-campeão Valentino Rossi sofreu uma queda ainda na pré-temporada, na Malásia, mas nada sofreu. Antônio Jorge confirma que a estrutura para os pilotos que caem é muito maior, se comparada com a época que competia em motos.

"A segurança melhorou. Existe proteção para o piloto, desde os acessórios que ele usa até as áreas de escape, que aumentaram muito. Com um espaço maior para que o piloto possa deslizar, geralmente, não há problemas mais graves", encerra.

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