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Andrew Medichini/AP

Depois de muita polêmica, Mário Jr. admitiu que a seleção perdeu propositalmente

10/10/2010 - 20h25

Mário Jr. quebra discurso pronto e admite pela 1ª vez que Brasil entregou jogo

Roberta Nomura
Em Roma (Itália)

O título mundial era importante para apagar a “mancha negra” na carreira dos jogadores após a polêmica derrota para a Bulgária que colocou o Brasil em chave mais fácil na terceira fase do Campeonato Mundial de vôlei. A missão final foi cumprida neste domingo com a vitória por 3 a 0 na final contra Cuba, mas o assunto voltou a ser abordado. O líbero Mário Júnior quebrou o discurso pronto adotado até aqui e admitiu, pela primeira vez com todas as letras, que o time verde-amarelo entregou o jogo.

“O momento mais difícil foi entregar o jogo contra a Bulgária. No começo, eu não consegui. Não sabia como fazer, nunca tinha feito isso na minha vida antes. A gente tinha esse objetivo mesmo e foi superado. Antes de dormir, à noite, esquecemos e superamos. Jogamos de acordo com as regras do campeonato. No fim, deu Brasil por merecimento”, disse ao canal Sportv.

O 3 a 0 sofrido diante da Bulgária ainda ecoava na festa do título. Sem saber que Mário Júnior havia admitido que o Brasil entregou o jogo, o capitão Giba falava sobre o assunto. “Soubemos tomar a decisão certa na hora em que foi preciso. Tivemos uma reunião até 5h da manhã. O que decidimos é do grupo, ficou entre a gente”, disse.

Na partida pela última rodada da segunda fase, Brasil e Bulgária entraram em quadra já classificados e fizeram confronto desinteressado. As duas equipes pouparam seus titulares e alegaram estar jogando dentro do regulamento. Os europeus não relacionaram o levantador e líbero titulares. O time verde-amarelo sequer teve um levantador de origem, porque deixou o gripado Bruninho de fora e improvisou o oposto Théo na função.

O momento mais difícil foi entregar o jogo contra a Bulgária. No começo, eu não consegui

Líbero Mário Jr., admitindo que o Brasil entregou o jogo na derrota para a Bulgária

Com o excessivo número de erros, a torcida de Ancona passou a vaiar, gritou palhaçada, aclamou a anfitriã Itália e atirou objetos na direção dos brasileiros. “A gente sabia o que estava fazendo. Sabíamos que receberíamos críticas do mundo inteiro. Mas a partir daí a gente se fechou e se fortaleceu”, falou Dante.

Com a criticada derrota, o Brasil encontrou caminho mais fácil na terceira fase e seguiu direto para Roma, sede da fase final do Mundial. Após superar República Tcheca e Alemanha na etapa, encarou a Itália na semifinal. Saiu com uma vitória por 3 a 1 e o discurso de “justiça feita” após insinuar que o regulamento favorecia a anfitriã. Na final, superou Cuba por 3 a 0 e faturou o terceiro título consecutivo – igualou feito da Azzurra, campeã em 1990, 1994 e 1998.

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