
| 21h24 - 28/07/2003 |
Técnico sai para "afastar nuvem" da seleção de vôlei feminino |
Por Mariana Lajolo Agência Folha Em São Paulo
O sétimo lugar no Grand Prix de vôlei, a pior colocação do Brasil na história, foi a gota d'água para Marco Aurélio Motta, que na terça-feira pediu demissão do comando da seleção feminina.
Segundo o treinador, o afastamento foi a forma encontrada por ele para amenizar a pressão recebida por suas jogadoras.
"Na hora da decisão, uma nuvem negra volta e bate a insegurança nelas. Alguma coisa precisava ser feita. Minha saída, de alguma forma, contribui para dar tranquilidade ao grupo para trabalhar", disse Motta, após conversar com o presidente da confederação brasileira, Ary da Graça.
O treinador permaneceu no cargo por dois anos e meio e esteve envolvido em uma das maiores crises da história da equipe. As críticas ao seu trabalho aconteceram dentro da quadra -as jogadoras questionavam o fato de ele ter os cargos de técnico e preparador físico- e fora dela.
No último episódio, o treinador da seleção masculina, Bernardinho, e sua mulher, a levantadora Fernanda Venturini fizeram duras declarações contra ele em um programa de TV.
Os problemas do técnico começaram logo no ano em que ele assumiu a vaga de Bernardinho. Em seu primeiro torneio contra as grandes potências, Motta amargou o quinto lugar no GP.
No ano passado, mesmo com a presença de um preparador físico, a crise chegou ao auge.Após a quinta colocação na Volley Masters, na Suíça, Érika, Walewska, Raquel e Fofão pediram dispensa por problemas de relacionamento com o treinador. Virna afirmou que enfrentava problemas pessoais e também saiu.
Sem as titulares e com uma base juvenil, Motta amargou o sétimo lugar no Mundial da Alemanha.
Neste ano, com a interferência da CBV, Raquel e Virna voltaram à equipe. Motta também ganhou um novo auxiliar, o vice da Superliga, Antônio Rizola. Ele foi chamado para o cargo para dar mais prestígio à comissão técnica e minimizar as críticas. Mas, mesmo com a "paz selada", a seleção não conseguiu engrenar em quadra.
"O que posso pensar e fazer depois que vi todos querendo que o projeto desse certo e fazendo tudo para que o caminho traçado fosse seguido?", questionou Motta. "Só posso pensar que é o inconsciente. Tenho consciência de que só erramos nessa partida", completou ele, referindo-se ao jogo contra a Coréia do Sul no GP.
Depois de passar por seu pior rival, a China, o Brasil foi arrasado pelas coreanas e ficou fora da fase final.
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