No retorno ao Brasil após a conquita da Liga Mundial masculina de vôlei, a seleção brasileira evitou fazer muita festa. E o técnico Bernardinho, que desde que assumiu o time conquistou, além de cinco títulos da Liga, a medalha de ouro na Olimpíada e o Campeonato Mundial, não descartou mudar de modalidade.
O treinador, inclusive, teve o nome especulado para substituir Carlos Alberto Parreira na seleção brasileira de futebol depois do fracasso na Copa do Mundo. "Participar de outro esporte só se fosse para integrar uma comissão técnica, e não como treinador, pois não tenho experiência para isso. Mas tenho paixão por diversos esportes, e não só o futebol", disse em entrevista ao
Bom Dia Brasil nesta terça-feira.
O vôlei já "exportou" seus técnicos para o futebol. Bebeto de Freitas, que comandou o time medalha de prata na Olimpíada de Los Angeles-84, é hoje o presidente do Botafogo. José Roberto Guimarães, campeão olímpico em Barcelona-92 e atual técnico da seleção feminina, foi diretor de esportes da Hicks Muse, parceira de Corinthians e Cruzeiro no começo da década.
No momento, entretanto, a preocupação de Bernardinho é com o Campeonato Mundial, que será disputado no final do ano, no Japão. O desempenho do Brasil na Liga, apesar do título, fez com que o treinador evitasse muita comemoração após a vitória na final sobre a França, no domingo, em Moscou.
"Não dá para curtir [o título], temos muito trabalho pela frente até o Mundial. O que jogamos foi o suficiente para ganhar uma Liga, mas não o Mundial. Temos que melhorar em tudo, mas principalmente no saque. Podemos sacar muito melhor do que sacamos, e a defesa também precisa evoluir. A França defendeu muito bem e precisamos crescer neste aspecto", disse o técnico, cercado por jornalistas, no saguão de desembarque do aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro.
| RIVAIS EVOLUEM |
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 Nos últimos anos, foi comum ver nas finais dos principais torneios de vôlei masculino apenas Brasil, Itália, Rússia e Sérvia e Montenegro disputando os títulos das competições. Entretanto, esta última Liga Mundial mostrou que o equilíbrio está maior. Leia mais. |
As palavras do técnico são compartilhadas pelos jogadores. Embora não disfarçassem o sorriso no rosto ao chegar no Brasil com mais um troféu, os atletas reconheceram algumas falhas da equipe.
"O saque precisa melhorar bastante e vamos tentar evoluir até o Mundial. Não teremos muito tempo, apenas três semanas, mas vamos treinar muito", disse o meio-de-rede Gustavo, que entrou no final da partida contra a França e ajudou o Brasil a virar o jogo decisivo da Liga.
É exatamente o pouco tempo que terá para trabalhar a seleção o principal temor de Bernardinho. Agora, os jogadores receberão alguns dias de descanso e em seguida se apresentarão em seus clubes.
Como a maioria disputa o Campeonato Italiano, os atletas irão para a Europa e defenderão seus times até o dia 15 de outubro, quando o torneio será interrompido. Os jogadores terão alguns poucos dias de folga, até a apresentação na seleção. Desta forma, Bernardinho terá apenas três semanas com o grupo, já que o Mundial começa dia 17 de novembro, algo que o deixa bastante preocupado.
"O ideal era termos mais tempo, mas o calendário é apertado e já sabemos disso. Vamos ter que trabalhar com o que nos é dado. É muito pouco tempo, então vamos ter que enfatizar os treinos nas falhas que detectamos", afirmou o treinador.
Bernardinho já se dirigia para pegar um táxi que o levaria para casa, nesta fria e chuvosa manhã de terça-feira, quando, ainda cercado pelos jornalistas, revelou que vai lançar um livro. Segundo o treinador, que deve finalizar a obra nesta semana, há algum tempo ele está escrevendo sobre os seus 13 anos à frente das seleções brasileiras feminina e masculina de vôlei e passará suas histórias para o papel.
"É um projeto que eu tenho há muito tempo e que já está na parte final. Vou abordar todos os aspectos desses meus 13 anos de seleção. Vai ser uma recapitulação desses anos todos, falando sobre os erros e os acertos desta caminhada", disse Bernardinho.
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