Ainda não foi desta vez que o Brasil colocou definitivamente o seu nome da lista dos grandes times do mundo no voleibol feminino. A seleção perdeu para a Rússia por 3 sets a 2 nesta quinta-feira, com parciais de 15-25, 25-23, 25-18, 20-25 e 15-13, e ficou com o segundo lugar no Campeonato Mundial, no Japão.
A derrota serviu para reviver um fantasma: o dos tropeços em momentos decisivos nas competições mais importantes do vôlei. Antes do jogo desta quinta-feira em Osaka, a equipe tinha fracassado seis vezes em semifinais ou finais de Jogos Olímpicos e Mundiais.
E a Rússia se tornou especialista em acabar com a festa brasileira. A atual geração do país foi formada justamente após uma derrota para a Rússia nas semifinais da Olimpíada de 2004, em Atenas.
Para o técnico José Roberto Guimarães, a derrota nesta quinta-feira não foi merecida. "Foi um pecado nós não termos ganho esse jogo porque eu acho que o Brasil merecia ganhar", disse o treinador, que afirmou estar "orgulhoso" do desempenho da equipe.
"É claro que fiquei triste pela derrota, mas fiquei satisfeito com o que elas se deram, com o que se dedicaram. Fica para mim a sensação de quanto o nosso time foi bom, de como se deu. É a melhor coisa que eu vejo. Caímos de pé", completou.
Depois das semifinais olímpicas, a comissão técnica brasileira iniciou um processo de fortalecimento muscular das atletas, que ganharam força sem perder a habilidade.
E esta força foi fundamental na campanha do Japão. O Brasil chegou à decisão de forma invicta, e encontrou pela frente um dos melhores times do mundo.
Com um ataque demolidor, formado por Sokolova, Godina e Gamova, a Rússia só perdeu um jogo antes da final, justamente para o Brasil, quando as duas seleções já estavam classificadas para as semifinais.
Na ocasião, a Rússia jogou sem sua principal jogadora, Sokolova, poupada com uma lesão na coxa. Com o retorno da oposto na partida decisiva, a tática brasileira foi forçar o saque em cima da jogadora, para dificultar as suas jogadas ofensivas.
E a tática deu resultado no primeiro set. Bem marcada, Sokolova teve poucas chances no ataque. Além disso, comprometeu o passe russo, complicando a vida da frágil levantadora Akulova.
O Brasil começou o jogo marcando os dois primeiros pontos, em erros da Rússia. As européias, atuais vice-campeãs olímpicas, reagiram e tomaram a dianteira do marcador.
| CHORO E RESIGNAÇÃO |
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A ponteira Jaqueline e a líbero Fabi eram as jogadoras mais abaladas com a derrota. Chorando bastante, chegaram ao vestiário amparadas por membros da comissão técnica ou pelas companheiras.
Por outro lado, as opostos Sheilla e Renatinha, embora visivelmente chateadas, só saíram da quadra após atenderem os pedidos de autógrafo dos torcedores. "É triste, eu não sei porque não chorei", disse Sheilla.
No pódio, na entrega das medalhas, a oposto não conseguiu conter a emoção e também chorou, assim como Fabiana e Carol Gattaz. |
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PÁGINA DO MUNDIAL |
A Rússia chegou a abrir dois pontos de vantagem (13-11), antes de uma seqüência espetacular do Brasil. Com Fabiana forçando o saque em cima de Sokolova, e Jaqueline virando todas as bolas, o time marcou seis pontos seguidos (17-13).
A série desconcentrou o time russo e animou ainda mais Jaqueline. A ponteira passou como quis pelo bloqueio adversário e, com um ace, fechou a parcial em 25-15.
No segundo set, a Rússia melhorou o passe e conseguiu equilibrar o jogo. Já o Brasil passou a perder alguns contra-ataques, impossibilitando uma abertura de vantagem no marcador.
A maior diferença conseguida pelo Brasil foi três pontos (10-7), em uma largadinha de Sheilla. A Rússia empatou a partida em 15-15, após Walewska errar um contra-ataque.
Com o equilíbrio no set, Zé Roberto mexeu no time, colocando Mari no lugar de Sassá. E a ponteira marcou duas vezes seguidas para deixar a seleção com 23-21.
| DOMÍNIO RUSSO |
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O título desta quinta-feira fez a Rússia ampliar o seu domínio no Mundial feminine de vôlei. Depois de três medalhas de bronze consecutivas, a seleção russa ganhou o campeonato pela sexta vez.
Os números da Rússia são impressionantes. Em 14 participações no Mundial, a equipe foi ao pódio em 12. É, disparada, a maior vencedora da competição.
A diferença do título desta quinta para os anteriores é que o de 2006 foi o primeiro conquistado com o nome de Rússia. Os outros cinco são da época da União Soviética. |
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TODOS OS CAMPEÕES |
O técnico da Rússia, o italiano Giovanni Caprara, pediu tempo e acertou o time, que marcou quatro pontos seguidos e fechou o set em 25-23, após um ataque para fora de Sheilla.
No terceiro set, o saque da Rússia começou a entrar, dificultando o passe brasileiro. A equipe européia aproveitou o bom momento para abrir uma confortável vantagem de cinco pontos (12-7).
Zé Roberto resolveu então mudar o Brasil. Mari, Carol Albuquerque e Renatinha entraram nos lugares de Sassá, Fofão e Sheilla. A diferença caiu para dois pontos (17-15), mas três erros seguidos do Brasil, um na defesa e dois no ataque, enterraram a reação. A Rússia fechou o set em 25-18.
No quarto set, ainda com Mari no time, o Brasil reencontrou a concentração. As brasileiras conseguiram uma pequena vantagem de dois pontos no início da parcial, mas foram ao segundo tempo técnico com três pontos de frente (15-12) graças a um bom saque de Jaqueline. A seleção brasileira então administrou a vantagem, fechando o set em 25-20, com um ataque de Mari.
No tie-break, o Brasil começou na frente, com um ponto de Sheilla. A Rússia virou para 3-2 com Godina explorando o bloqueio. E abriu uma pequena vantagem após erro de ataque de Jaqueline no lance seguinte.
A seleção só retomou a dianteira do marcador após a virada de quadra. Em um lance confuso com Sokolova, o Brasil fez 9-8. Depois, marcou 13-11, dando a impressão de que iria fechar o set.
Mas a seleção não conseguiu colocar a bola no chão, permitindo a virada da Rússia para 15-13 em um ponto de Gamova após um erro de passe da defesa brasileira.
"Saímos de uma situação adversa quando a Rússia virou o lado, e ainda conseguimos defender grandes bolas, conseguimos bons contra-ataques e realmente no final é uma situação de jogo que aconteceu. Mas o time está de parabéns pela campanha que realizou, sabendo superar as dificuldades por que passou", disse Zé Roberto.