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17/11/2006 - 09h00

"A derrota em 1994 foi mais difícil", diz Fofão

Lello Lopes
Enviado especial do UOL
Em Fukuoka (Japão)
O Brasil foi duas vezes vice-campeão mundial feminino de vôlei. E uma única jogadora esteve nas duas campanhas: a levantadora Fofão. De reserva em 1994, quando a seleção perdeu para Cuba a final em São Paulo, a atleta virou capitã do time que foi derrotado pela Rússia nesta quinta-feira em Fukuoka.

CHANCE PERDIDA
EFE
Fofão é erguida pelas companheiras após queda na final contra a Rússia
A derrota do Brasil para a Rússia na final do Campeonato Mundial de vôlei impediu que a desigualdade entre os resultados obtidos por seleções masculinas e femininas diminuísse.

Sem o título no Japão, o Brasil continua apenas com uma medalha de ouro conquistada por seleções femininas em nível olímpico ou mundial. O único título conseguido por mulheres brasileiras foi no Mundial de basquete de 1994.
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Aos 36 anos, ainda com marcas de choro no rosto, Fofão falou com a reportagem do UOL Esporte no Osaka Central Municipal Gymnasium, sobre o desempenho do Brasil no Mundial, a derrota na decisão para a Rússia e os planos para o futuro.

Você fez parte dos dois grupos que foram vice-campeões mundiais. Qual a diferença entre a derrota desta quinta e a de 1994?
O primeiro foi mais difícil porque a gente jogou no Brasil. O grupo ficou muito triste porque era a primeira vez que a gente representava o Brasil no Mundial dentro de casa. Então foi uma situação que demorou um tempo para a gente se recuperar. Dessa vez, é outro momento de tristeza, mas são situações diferentes.

Como você avalia o desempenho do Brasil no Mundial e na final contra a Rússia?
A equipe cresceu muito, foi crescendo durante a competição. Foi uma final muito bonita, que as duas equipes tinham condições de vencer. O placar disse tudo. Acho que foi importante como o grupo reagiu na final. Acho que foi um pecado a gente não ter conseguido vencer, mas o grupo todo está de parabéns.

Porque às vezes o Brasil, faltando um ou dois pontos, não consegue fechar um jogo decisivo?
Acho que em alguns momentos é muita ansiedade. A gente vê a coisa na cara ali, se aproximando, e vem aquela vontade de querer fechar o jogo, fechar o set. Então a gente acaba precipitando um pouco a situação que poderia ser mais tranqüila. Acho que esse Mundial foi importante para nós amadurecermos nesse sentido de que a gente, quando está na frente do placar, tem que ter tranqüilidade e paciência para esperar a melhor situação para poder definir.

E depois da partida, o que você, como capitã, falou para as jogadoras?
A gente não se falou porque estava todo mundo triste, chorando muito. O Zé (José Roberto Guimarães, técnico da equipe) é que falou com a gente, falou que está muito orgulhoso da equipe toda. Não dá para falar muita coisa não. Depois quando passar um pouquinho esse momento que a gente está vivendo agora a gente se fala e se abraça. Mas por enquanto está todo mundo ainda meio magoado.

Durante o Mundial, você disse que tinha certeza de que jogaria pela seleção pelo menos até a final do campeonato. Agora já tem planos para mais para frente?
Fico feliz por ter conseguido chegar até aqui onde eu cheguei, conseguir ter levado o time a mais uma final. Agora o ano que vem a gente tem que repensar, ver as minhas condições, como eu vou estar. Se estiver certo a gente vai embora. Mas tem que analisar toda a situação, ver se vou estar em boas condições de estar junto com o grupo correspondendo da maneira como precisa.

Mas fisicamente você está bem?
Estou ótima, graças a Deus. Há muito tempo não me sentia tão bem fisicamente. Tive essa contusão (na panturrilha direita, logo no jogo de estréia do Brasil no Mundial), que é uma coisa normal, que acontece. Estou me sentindo muito bem. Se continuar assim, conseguindo manter essa condição física e a condição técnica, a gente vai prolongando mais um pouquinho.

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