De um lado, dois times caracterizados pela técnica e habilidade de seus jogadores. Do outro, duas equipes que têm na força a sua maior arma. Assim, o "jeito" e a "porrada" começam a decidir neste sábado o Campeonato Mundial masculino de vôlei, no Japão.
A primeira semifinal da competição, que será realizada às 12h30 (1h30 de Brasília), em Tóquio, terá frente a frente os dois times habilidosos: Brasil e Sérvia e Montenegro. Na seqüência, jogam Bulgária e Polônia, as equipes mais fortes fisicamente.
Nos últimos anos, o "jeito" tem levado a melhor sobre a "porrada". Principal representante do voleibol técnico, o Brasil ganhou praticamente tudo o que disputou nos últimos cinco anos. A equipe comandada pelo técnico Bernardinho é a atual campeã mundial, olímpica e da Liga.
Outras equipes que apostam mais na técnica do que na força tiveram sucesso nos últimos anos. Nas quatro edições mais recentes da Liga Mundial, todas vencidas pelo Brasil, os vice-campeões foram times habilidosos, como Sérvia, em 2003 e 2005, Itália, em 2004, e França, em 2006.
Na Olimpíada, a Itália ficou com a medalha de prata em Atenas-04, enquanto a Sérvia ganhou o ouro em Sydney-00.
A única equipe de força que conseguiu quebrar a hegemonia dos times de técnica nas últimas temporadas foi a Rússia, campeã da Liga Mundial de 2002. O time também foi vice-campeão olímpico, em 2000, e mundial, em 2002.
Para conseguir vencer as seleções que sacam muito forte e têm bloqueio alto, o Brasil usa a velocidade imprimida pelo levantador Ricardinho, buscando principalmente os ataques do ponteiro Giba. O time também conta com uma variação grande de jogadas, utilizando o oposto André Nascimento, o ponta Dante ou os centrais André Heller e Gustavo.
A seleção também se destaca na defesa. Além de ter um dos melhores líberos do mundo, Escadinha, o Brasil possui grandes passadores, como Dante.
Neste Mundial, o Brasil passou bem pelos testes feitos contra times de saque-bloqueio. A equipe derrotou Alemanha, República Tcheca e Bulgária. A única derrota no campeonato foi justamente para uma equipe técnica, a França, ainda na primeira fase.
A Sérvia, que se considera o "Brasil da Europa", já sentiu a força de um time que abusa da porrada. A equipe perdeu a invencibilidade na competição justamente para a Polônia, na última rodada da segunda fase.
Os sérvios também têm jogadores bastante habilidosos, como o levantador Nikola Grbic, capitão da equipe, ou o oposto Ivan Miljkovic, que já foi eleito o melhor jogador da Liga Mundial em quatro oportunidades.
"Isso torna mais difícil, por se caracterizar muito com o nosso jogo, precisamos ter mais atenção", analisa o meio-de-rede Gustavo, que aposta em um jogo emocionante para a torcida. "Para o público com certeza vai ser um grande jogo, mas para nós vai ser uma tensão enorme."
Na outra semifinal, o destaque é a potência dos saques e ataques. A Bulgária tem o serviço mais forte do campeonato. O oposto Kaziyski é disparado o jogador que mais fez aces no campeonato: 25, quase o dobro do segundo colocado.
Já a Polônia, que tem o segundo melhor atacante do Mundial, Sebastian Swiderski, chega às semifinais credenciada pela melhor campanha do campeonato. Os poloneses ainda estão invictos, tendo perdido apenas dois sets em nove partidas.
Na preparação para o campeonato, a Polônia realizou dois amistosos contra o Brasil, em Osaka. No primeiro, o jogo terminou empatado em 2 a 2. No segundo, os brasileiros ganharam por 3 a 1.
"A Polônia é um time alto, de potencial, que tem crescido bastante ao longo desses anos, sempre está ali brigando. É um adversário difícil", conta o oposto brasileiro André Nascimento.