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13/05/2008 - 10h17

Possível retorno de Giba marca mudança no cenário do vôlei

Por Mariana Lajolo
Folhapress
Em São Paulo
Mais importante atacante da atualidade, Giba pode selar nesta terça-feira seu retorno ao país. A transferência do jogador, se concretizada, será a mais emblemática transação de uma temporada já marcada pelo arrefecimento do êxodo de estrelas brasileiras ao exterior.

Marcelinho, Samuel Fuchs e Anderson, presenças constantes na seleção de Bernardinho, já acertaram com times nacionais. O líbero Escadinha também negocia o fim de sua passagem pelo vôlei italiano.

O fenômeno atingiu também o vôlei feminino. Sheilla e Mari podem deixar a Itália para defender o Rio de Janeiro. A meio-de-rede Carol Gattaz, também convocada pelo técnico José Roberto Guimarães, já reforça a equipe carioca.

O movimento de retorno dos principais nomes do país coincide com medida da federação internacional que limita o número de estrangeiros por time, anunciada oficialmente na segunda-feira. A nova regra será implementada de forma progressiva nos próximos três anos até limitar a apenas dois o número de estrangeiros em quadra por time.

A União Européia diz que a determinação é ilegal em virtude das leis de trabalho e livre circulação entre seus países.
Na semana passada, o Parlamento Europeu divulgou comunicado para afirmar que Estados e organizações esportivas "não devem introduzir novas normas que consideram uma discriminação direta baseada na nacionalidade".

Mesmo assim, a entidade que comanda a modalidade classificou a regra como "decisão histórica para a família do vôlei". Jogadores da seleção brasileira que atuam na Itália já haviam feito protesto para que a medida não fosse aprovada.

O país europeu será um dos principais afetados pela medida. Seu campeonato é o mais disputado no mundo, principalmente porque tinha com número ilimitado de estrangeiros. A ofensiva russa de propostas tentadoras, como a aceita por Giba no ano passado, também deve arrefecer.

Para empresários desses atletas, no entanto, a nova regra não foi fator decisivo para o início dos retornos ao país.
A grande exposição da Superliga de vôlei na TV aberta, novidade da última edição, teria encorajado os clubes a investirem mais na nova vitrine.

"Todos os anos havia propostas. A mudança agora é que as ofertas do Brasil estão bem mais próximas das européias. O limite de estrangeiros não é problema para os jogadores top do país. Se um time de fora quiser reforços estrangeiros, irá optar pelos brasileiros", afirma Jorge Assef, empresário de Giba, entre outros.

Os principais afetados pela nova regra da federação internacional deve ser jogadores de nível intermediário ou baixo. Atletas que não encontravam espaço no Brasil e passaram a se aventurar fora por salários muitas vezes irrisórios. Esses jogadores começaram a sair em maior número puxados pelo êxodo das estrelas da seleção, que começou a acontecer de forma mais expressiva após a conquista do primeiro título mundial, em 2002.

O fenômeno já havia sido experimentado depois do ouro olímpico em Barcelona-1992. Giovane, um dos principais alvos após a conquista da medalha, agora sai em busca de atletas para trazer de volta ao país. O técnico da Unisul tinha como prioridade para esta temporada tirar Marcelinho da Grécia. Além da contratação do levantador titular da seleção, sua equipe fechou com o oposto Anderson, que havia voltado ao Brasil no ano passado.

"Para retornar, o Anderson aceitou proposta abaixo das que havia recebido de clubes lá fora. Mas acredito que, neste ano, nenhum jogador deva perder dinheiro", diz Assef.