A seleção brasileira masculina de vôlei tentará, a partir de quarta-feira, algo que tem obtido com muito êxito longe de seus domínios. Dono dos últimos cinco títulos da Liga Mundial -todos vencidos fora-, o Brasil tenta apagar fracassos em decisões disputadas em casa para igualar o número de conquistas italianas na competição. O primeiro desafio dos anfitriões é contra a Rússia, às 10h, no ginásio do Maracanãzinho.
Principal potência do vôlei mundial, a seleção brasileira já decidiu três vezes a Liga em território nacional. Diante da torcida paulista, os donos da casa garantiram o primeiro título do país na competição em 1993, ano em que a Rússia terminou em segundo lugar.
Dois anos mais tarde, o Rio de Janeiro foi o palco da derrota brasileira para os italianos, que chegavam ao quinto título da competição que é disputada desde 1990. Já sob o comando do técnico Bernardinho, o time brasileiro sofreu seu segundo revés em casa.
Um ano após conquistar o segundo título na história, em 2001, na Polônia, o Brasil desperdiçou a chance de dar continuidade no pódio, ao perder para a Rússia, em Belo Horizonte (MG).
"Acho que o pecado foi não ter ganho a final. Já havíamos passado pela Sérvia na semifinal e tínhamos feito um bom papel. Mas cada época serve de exemplo. A gente tem como lição a derrota em Belo Horizonte e vai entrar mais motivado para não repetir o erro este ano no Rio", garantiu o capitão Giba.
O revés de 2002 foi a última vez em que o Brasil disputou a fase final em seu território e também marcou a última derrota da seleção em decisões da competição. Desde 2003, o Brasil não perde o título, todos disputados na Europa.
"Naquele momento, o time ainda estava em formação. Estávamos nos firmando como equipe e aquele resultado foi importante para o nosso crescimento. Dali em diante, percebemos que só nos unindo superaríamos todas as dificuldades que apareceram. Hoje, passados seis anos, vejo que aprendemos a lição", disse o oposto André Nascimento.
O técnico Bernardinho foi o primeiro a alertar sobre as armadilhas de jogar a etapa decisiva em casa. "Sendo no Rio, as coisas ficam mais difíceis, porque ganham uma dimensão maior. A potencialização dos sentimentos aumenta e a obrigação também e isso gera um efeito sobre o ânimo", afirmou o treinador que deve utilizar a força máxima contra a forte seleção russa.
Para encarar o alto bloqueio e o eficiente saque dos europeus, o Brasil deve entrar em quadra com Marcelinho, Giba, André Nascimento, Gustavo, Rodrigão (André Heller) e Dante, além do líbero Serginho.
"Será a estréia mais complicada dos últimos anos na fase final. Enfrentamos a Rússia muitas vezes nas últimas temporadas e acredito que o retrospecto seja muito equilibrado. É um time que aposta bastante no saque e no bloqueio. Por isso, precisaremos de paciência para encontrar os espaços na quadra", analisou o meio-de-rede Gustavo.
Ao todo são 75 confrontos entre as duas seleções na história, com 40 vitórias brasileiras. As duas equipes também já decidiram três Ligas Mundiais, com duas conquistas nacionais (1993 e 2007) e uma russa(2002).