O Brasil esperava uma partida duríssima contra a Rússia na estréia da fase final da Liga Mundial de vôlei. Com o novo uniforme, que será usado pela delegação nos Jogos Olímpicos de Pequim, a seleção brasileira passou com tranqüilidade pela forte equipe européia com vitória por 3 sets a 0 (25-23, 25-18 e 25-15) nesta quarta-feira, no ginásio do Maracanãzinho.
"A gente colocou ritmo de jogo muito forte e o saque deles não entrou. Isso facilitou muito a nossa vida no jogo desta quarta-feira", explicou André Nascimento.
Após seis anos, a equipe brasileira volta a decidir a Liga Mundial em seu território. Diante de quase 10.500 torcedores, o Brasil superou o adversário mais difícil da chave, que ainda conta com o Japão. A seleção asiática, aliás, é o próximo adversário dos donos da casa, na sexta-feira, às 10h.
No início do primeiro set, a seleção brasileira conseguiu neutralizar os pontos fortes russos: a eficiência no saque e o alto bloqueio. Virando bem as bolas, o Brasil chegou à frente no primeiro tempo técnico do confronto. Para abrir dois pontos de vantagem pela primeira vez na partida, os anfitriões fizeram a Rússia provar do próprio veneno e, em bloqueio triplo, o Brasil fez 13-11.
Os russos não ficaram para atrás e retomaram a dianteira, ao parar ataque pelo fundo de Giba, que viu sua bola explodir no paredão dos visitantes e cair em sua quadra. Com três pontos de desvantagem, o técnico Bernardinho promoveu suas duas primeiras substituições, com as entradas do levantador Bruninho e do oposto Anderson.
Sem alterar a partida, as modificações foram desfeitas. Comandados pelo capitão Giba, que teve excelente passagem pelo saque, o time brasileiro conseguiu reverter a situação e virou em 23-22. Com a sincronia de bloqueio e cobertura, que até então não funcionava bem, o Brasil aproveitou contra-ataque para fechar o primeiro set em 25-23, em 26 minutos.
Os erros russos cometidos não fim da primeira parcial não foram repetidos e os visitantes conseguiram abrir boa vantagem logo no começo do segundo set (8-5). Mas os bons saques de Giba e André Heller recolocaram o Brasil na partida.
Os donos da casa aproveitaram os equívocos do ataque russo, que mandou duas bolas seguidas para fora para fazer 13-11. Muito vibrante, a seleção brasileira passou o nervosismo do início da parcial para o outro lado da rede.
Em momentos que não era possível passar pelo alto bloqueio da Rússia, os brasileiros souberam explorar o paredão para seguir virando as bolas. Os anfitriões contaram novamente com o excessivo número de erros dos adversários, que cederam dez pontos no segundo set, encerrado em 22 minutos (25-18).
Apontada pelas outras seleções como forte candidata ao título da Liga Mundial, a Rússia não conseguiu repetir o desempenho nas partidas da primeira fase, que colocaram os europeus com a segunda melhor campanha, atrás apenas do Brasil.
Para fugir do bloqueio dos visitantes, o levantador Marcelinho utilizava bem as opções de ataque. Desestruturada, a equipe russa continuou cedendo muitos pontos e o Brasil não teve dificuldades em fechar o terceiro set e o jogo em 25-15.
"A gente conseguiu imprimir um ritmo bom de saque. Como primeiro teste foi bom, mas agora é pensar no Japão e descansar", afirmou o líbero Serginho.
Apesar de comemorar a vitória, André Nascimento preferiu manter os pés no chão após o resultado sobre uma das principais favoritas ao título da Liga Mundial e das Olimpíadas de Pequim. "Esse jogo não serve como parâmetro, porque os russos foram bem abaixo. Eles têm um saque forte e bloqueio, por isso não podemos nos iludir. Temos que tomar cuidado porque em uma final eles virão com tudo", finalizou.
Em partida pelo outra chave, Sérvia e Estados Unidos também fazem a primeira partida pela fase final da Liga Mundial. Favoritas no Grupo F, as duas seleções entram na quadra do Maracanãzinho, às 13h15.