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Técnico americano suspeito de usar filho como cobaia em esquema de doping

Doug Pensinger Getty Images
Alberto Salazar posa para foto em frente ao prédio do Nike Oregon Project que leva seu nome Imagem: Doug Pensinger Getty Images

Do UOL, em São Paulo

2015-06-30T06:00:00

30/06/2015 06h00

O treinador cubano Alberto Salazar se tornou uma sumidade do esporte americano ao fazer seus atletas deixarem para trás os quenianos e etíopes nas corridas de fundo. O prestígio é tamanho que o Nike Oregon Project, onde trabalha, tem um prédio com seu nome. Um dos feitos de seus comandados foi Galen Rupp conseguir uma medalha nos 10 mil metros nas Olimpíadas de Londres, algo que não ocorria desde 1964.

Mas a aura que envolve o técnico está sob interrogação depois de denúncias contra ele por doping, uso de atestados falsos de doenças para obtenção de medicamentos e até o fazer do filho cobaia para saber o limite de drogas que não é flagrado nos teste antidoping. A denúncia foi feita no começo do mês em reportagem da ProPublica, veículo de imprensa americano, e um documentário da prestigiada emissora inglesa BBC. Pessoas que trabalharam com Salazar foram ouvidas e a principal fonte é Steve Magness, ex-assistente do cubano.

O mundo do atletismo não fala de outra coisa desde então. Alguns atletas que trabalharam com Salazar defenderam o treinador e outros endossaram os questionamentos. De acordo com as reportagens, o primeiro erro de Salazar ocorreu em 2002 e envolveu o hoje medalhista olímpico americano Galen Rupp. O atleta estava com 16 anos quando teria usado testosterona cedida pelo treinador cubano.

A matéria também fala que os corredores eram submetidos a sucessivos testes até conseguirem laudos comprovando asma ou insuficiência de tireoide. O passo seguinte era obter liberação para ingerir medicamentos contra estes problemas de saúde. Não existe certeza que as substâncias melhoram a performance, mas o treinador insistia na autorização afirmam as reportagens.

A última denúncia é de que o próprio filho de Salazar, chamado Alex, foi usado como cobaia para medir como o organismo se comporta ao uso de drogas proibidas. A intenção seria calcular a quantidade que pode ser usada e não ser pego no doping. Apesar de todos questionamentos, as reportagens ressaltam que os testes nos atletas do cubano nunca deram positivo.

Repercussões

O medalhista olímpico Galen Rupp e o cubano negaram todas as denúncias. Com o nome vinculado a polêmica a Nike no Brasil enviou a seguinte nota:

"Levamos essas acusações muito a sério. A Nike não permite ou compactua com o uso de qualquer tipo de droga que aprimore o desempenho de um atleta. Alberto Salazar e Galen Rupp deixaram sua posição muito clara, e negam veementemente todas as acusações feitas contra eles."

Os atletas se dividiram. Kara Goucher deixou o Nike Oregon Project em 2011 e atirou contra Salazar afirmando que ele é o tipo de pessoa que procura vencer a qualquer custo. Josh Rohatinsky, que trabalho com Salazar de 2007 a 2009, escreveu um longo post no Facebook afirmado que a evolução de Galen Rupp era muito suspeita.

Cam Levins treinou anos com o técnico e declarou que nunca ofereceram nada a ela nem viu qualquer uma das situações descritas na reportagem. Shannon Rowbury fez coro e afirmou que jamais encontrou qualquer indício que levantasse suspeitas a respeito do profissional.

Pressão sobre campeão Olímpico

A confusão sobrou também para o campeão dos 10 mil metros nas Olimpíadas de Londres, o britânico Mo Farah. Ele não teve o nome citado nas denúncias, mas é treinado por Salazar. Alegando desgaste emocional, o corredor desistiu de competir em frente a seus conterrâneos na etapa da Diamond League realizada em Birmingham no dia 7 de junho.

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