Brasileiro celebra seu legado olímpico: "não me chamam mais de bicha"

Fábio Aleixo

Do UOL, em São Paulo

  • Ryan Pierse/Getty Image

Quarto colocado na prova de marcha atlética de 20 km na Olimpíada do Rio a apenas cinco segundos do quarto colocado, Caio Bonfim não ganhou mais patrocinadores, nem teve um aumento em suas receitas após os Jogos. Porém, conquistou um legado para lá de positivo. O atleta de 25 anos consegue treinar agora pelas ruas do Distrito Federal sem ser incomodado.

Antes - como já havia contado ao UOL Esporte em 2015 e reforçado após a Olimpíada - , sofria com ofensas homofóbicas por causa do rebolado, movimento comum na marcha. "Bicha", "viado" eram coisas comuns ouvidas de motoristas que passavam. Agora, marcha pelas ruas de Sobradinho e Brasília sem ouvir nenhum tipo de gracinha.

"Depois da Olimpíada mudou bastante, pelo menos aqui em Brasília. Antes eu ouvia muita chacota e insultos. Agora não me chamam mais de bicha. Pelo contrário. As pessoas apoiam, me param e pedem foto e autógrafo. Mudou muito", disse Caio ao UOL Esporte. "Até brinco que agora o som da buzina é diferente. Antigamente, buzinavam para fazer chacota", completou.

"Esta mudança é muito positiva e espero que depois desta Olimpíada mais gente venha para a marcha. Já tenho percebido isso aqui em Sobradinho. Agora vamos fazer nascer novos atletas, novos cidadãos", afirmou o atleta.

Caio possui apenas um patrocinador, a marca de tênis Skechers e recebe verba do programa Bolsa Atleta, do Governo Federal. No fim de 2016, ficou também sem plano de saúde, uma vez que o Comitê Olímpico do Brasil (COB) interrompeu o benefício.

"Eu sabia que nada iria mudar depois da Olimpíada. Eu não quero ser um milionário como o Neymar, mas quero ser valorizado", disse Caio.

Na vida pessoal, Caio agora é um homem casado. Em novembro se casou com Juliana com quem já namorava há mais de cinco anos.

Neste ano, o principal desafio do marchador será o Campeonato Mundial de Atletismo, que será realizado entre os dias 4 e e 13 de agosto em Londres (ING). Caio já tem índice para a disputa dos 50 km, mas seu foco é obter a marca para brigar por medalha nos 20 km. Esta prova, aliás, é a qual vai se dedicar mais para subir ao pódio nos Jogos de Tóquio, em 2020. 

 

 

 



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